terça-feira, 30 de junho de 2009

Santos Dias da Silva


No ano de 1974 a 1978 assume a presidência o general Ernesto Geisel, já no final do “milagre econômico”, trazendo uma proposta de “distensão política lenta, gradual e segura”. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de Jornalismo da TV Cultura, depois de preso nas dependências do DOI/CODI de São Paulo, acusado de ter ligações com o PCB, aparece morto em sua cela. O operário Manoel Fiel Filho é preso em 1976 por policiais do DOI/CODI, na empresa onde trabalhava, acusado de distribuir o jornal Voz Operária e pertencer ao PCB. Aparece morto e a nota oficial alega suicídio.

Em São Bernardo, no dia 12 de maio de 1978, os metalúrgicos da Scania Vabis pararam por 21% de aumento salarial. Essa ação foi se espalhando e no dia 29 de maio, a Toshiba, em São Paulo, também paralisou sua produção. Um dos integrantes da comissão da Toshiba era Anísio Batista, que junto com Santo Dias, encabeçaram a Chapa de Oposição nas eleições sindicais de 1978. Eram duas lideranças novas, reconhecidas pelo forte trabalho de base que tinham nas fábricas por onde passaram.

Às vésperas da eleição, Santo foi demitido da Metal Leve, onde a esta altura já era inspetor de qualidade. Ajudado por amigos, ele foi empregado pela Alfa Fogões, no Brás, na Zona Norte. Concorreu às eleições sindicais, mas a Oposição “perdeu”. A OSM denunciou as fraudes grosseiras ocorridas durante a eleição, o que deveria tornar obrigatória a realização de novas eleições em 15 dias. Mas, Joaquim Santos Andrade foi a Brasília, encontrou-se com o então ministro do Trabalho, Arnaldo Prieto, que o re-empossou.

Em agosto de 1979, depois de vários anos de intensa movimentação popular exigindo anistia aos presos políticos e exilados, o governo editou a Lei de Anistia, estendendo-a também a torturadores e participantes do aparato repressivo. Em março, a Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo fez seu primeiro congresso definindo como princípios de sua atividade uma frente de sindicalistas que lutavam pela mudança da estrutura sindical, que entendiam deveria ser independente do Estado e organizada a partir das comissões de fábrica. Santo Dias participa desse processo agora mais amadurecido pela prática. De 31 de maio a 2 de setembro, o 1o. Congresso da Mulher Metalúrgica reforçou as teses da Oposição. Em outubro, os metalúrgicos começam nova campanha salarial. Desta vez, a reivindicação era 83% de aumento dos salários, não aceita pelos patrões. Uma assembléia com seis mil trabalhadores na rua do Carmo decidiu, numa sexta-feira, iniciar a greve.
Morte de Santo Dias
No primeiro dia da paralisação, 28 de outubro, as subsedes do Sindicato, abertas para abrigar os comandos de greve, foram invadidas pela Polícia Militar, que prendeu mais de 130 pessoas. Sem o apoio do sindicato e com a intensa repressão policial sobre sua ação, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro, sendo a Zona Sul a região de maior concentração da categoria. No dia 30, Santo Dias, como parte do comando de greve, saiu da Capela do Socorro, para engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvânia e discutir com os operários que entravam no turno das 14h00.
Viaturas da PM chegam e Santo Dias tenta dialogar com os policiais para libertar companheiros presos. A polícia agiu com brutalidade e o PM Herculano Leonel atirou em Santo Dias pelas costas. Ele foi levado pelos policiais para o Pronto Socorro de Santo Amaro, mas já estava morto. O corpo de Santo Dias só não “desapareceu” por conta da coragem de Ana Maria, sua esposa. Ela entrou no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal, apesar de abalada emocionalmente e pressionada pelos policiais a descer, não cedeu.

Divulgada a notícia de sua morte pelos vários meios de comunicação, seu corpo seguiu para o velório na Igreja da Consolação. No dia 31 de outubro, 30 mil pessoas saíram às ruas da Capital para acompanhar o enterro e protestar contra a morte do líder operário, pelo livre direito de associação sindical e de greve e contra a ditadura.
fonte: Wikípédia
Foi um marco da luta contra a ditadura e passoas para redemocratização do país. Me lembro muito bem pois panfletei em Campinas - SP em repúdio a morte do operário e pelo fim da Ditadura Militar. Atualmente moro em biarro com o seu nome em homenagem a uma vítima que tornou-se símbolo da luta da classe trabalhadora rumo a democratização.

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