sábado, 5 de setembro de 2009

O Velho e o rio

Achei isso na net e resolvi postar aqui

Fausto não era um exímio pescador. Era apenas um teimoso à beira de um rio a enfrentar todos os percalços inerentes ao hobby por horas a fio sempre trocando histórias com outros pescadores e constantemente trocando de lugar por não ter paciência. Depois de margear o rio por umas duas horas encontrou um remanso que lhe pareceu, por intuição, ser um bom local para fisgar alguns peixes. Por mais que a paciência suportava, desestimulou-se e já estava a pique de juntar suas tralhas e voltar à cidade com a capanga vazia quando, onde o rio é encoberto pela vegetação que o margeiam na curva, viu surgir lentamente uma canoa. Alguém a remava cadenciada. Fausto até se esqueceu que estava para ir embora e ficou a observar atentamente a canoa se aproxima,lenta como as águas do rio, foram dez minutos de olhos fixos. Seu condutor, um velho que o tempo fez cansar, enrrugado até onde suas vestes deixavam ver, deixou os remos, dobrou as barras da calça deixando a mostra suas sandálias franciscana, agia como se por perto não houvesse ninguém. Fausto a pouca distância não lhe chamava a atenção, ou ele fingia não ver.

Depois saltou para a água que lhe dava pé naquela prainha que mais parecia um mar em calmaria. Depois de puxar a canoa até um areal fora d’água voltou, tocou a água como se a estivesse acariciando, passou as mãos úmidas de natureza pelo rosto, as águas sulcaram suas rugas e perderam-se na areia como se fossem lágrimas. Fausto continuava observando-o a certa distância até que notou que o velho começava a encaminhar-se para junto dele, aproximou-se:



- O senhor vai pescar aqui?

- Tem algum problema meu filho?- Perguntou o velho.

Não!É que aqui não tem peixe. Já faz quase duas horas que estou aqui e nada! Nem um peixinho.

Eu sei…

Nenhum comentário:

Postar um comentário