quarta-feira, 24 de março de 2010

Sexualidade na adolescência

Fonte: Google Imagens


"Ao abordar um assunto tão polêmico quanto o da sexualidade na adolescência,
considero imprescindível que se defi nam os principais conceitos.
Portanto, o primeiro passo é defi nir o termo sexualidade.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS):
“A sexualidade é um aspecto central do bem estar humano, do começo
ao fi m da vida, envolvendo sexo, identidade de gênero, orientação
sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução.”
Aqui, vale ressaltar o tema associado ao bem estar do Homem, já que
a OMS o utiliza como um dos quatro indicadores de qualidade de vida. Os
outros três parâmetros são a manutenção da vida profi ssional, a convivência
familiar e o acesso ao lazer.
Outro enfoque nos é trazido por Vitiello, que defi ne:
“A sexualidade, entendida a partir de um enfoque amplo e abrangente,
manifesta-se em todas as fases da vida de um ser humano,
tendo na genitalidade (coito) apenas um de seus aspectos, talvez nem
mesmo o mais importante. A sexualidade permeia todas as manifestações
humanas.”
Se assim é, tenho que modifi car o título desta palestra para “O despertar
da genitalidade na adolescência”. Pois ao nascermos já somos seres
sexuais, assim vivemos e assim morremos.
A outra questão que merece considerações iniciais é esta fi gura estranha,
quase um extraterrestre, o nosso foco de atenção: o Adolescente.
Os adolescentes brasileiros, indivíduos entre a faixa etária de 10 a 19
anos, compreendem 35.287.282 pessoas, algo em torno de 20% da população,
segundo dados do último censo do IBGE em 2000.
Por defi nição, adolescente é o indivíduo que se encontra em fase peculiar
de transição biopsicossocial, período este caracterizado por transformações
biológicas em busca de uma defi nição de seu papel social, determinado
pelos padrões culturais do meio, segundo o Seminário Latino-americano
sobre Saúde do Adolescente.
É nesta fase peculiar de transição, desencadeada biologicamente pelo
início da liberação de hormônios sexuais no eixo hipotálamo-hipofi sário16
A SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA NO NOVO MILÊNIO
gonadal, que se traduz psicologicamente por um súbito interesse sexual
genital. Há uma explosão de desejos, anseios, medos, inseguranças com
a abertura de novos horizontes. Mas como este ser é comumente visto em
nossa sociedade? Analisemos este pequeno trecho abaixo e, vejamos como
vêem o nosso objeto de estudo:
“O jovem é um ser desrespeitoso para com os mais velhos, não lhes
dá a devida atenção e não os ouve adequadamente, não aceita suas
ponderações e sente-se cheio de verdade, força e sabedoria.
Considera tudo o que é mais antigo do que ele obsoleto, arcaico ou
puramente velho, ao passo que tudo seu é novo, criativo, inédito e
seguramente dará certo, funcionará a contento e resolverá tudo.
Essa praga só pensa em sexo, diversão e contestação. Tenha sérias
dúvidas sobre como irá evoluir a sociedade, nas mãos desses jovens,
que se consideram o umbigo do mundo.”
Sem dúvida alguma, esta não é a minha visão do ser adolescente, mas
vocês devem concordar que este é um discurso muito freqüente, principalmente
daqueles que não convivem ou trabalham com ele. Pois bem, este
texto é um documento sumério, em escrita cuneiforme, do século XXVIII
a.C.. Isto mesmo, desde sempre, o adolescente é discriminado, visto quase
como uma escória da sociedade.
Como educadores sexuais, precisamos manter muito cuidado com os
discursos repressivos e manipuladores, capazes de nos induzir a acreditar
que atualmente, os jovens são mais promíscuos e estão iniciando a vida sexual
cada vez mais cedo. Costumo refl etir sobre este tema, fazendo primeiro
uma pergunta à platéia: “Com quantos anos, a sua avó se casou ou teve
o primeiro fi lho?”. Freqüentemente, a maioria fala de casamentos, hoje,
considerados precoces, aos 14/15 anos. Mas, é fato que no início do século
passado, antes das Grandes Guerras, uma jovem de dezesseis anos que
não estivesse casada era considerada solteirona. Um outro exemplo é o de
Julieta de Capuleto, que conheceu Romeu de Montéquio 15 dias antes de
completar quatorze anos. Como Shakespeare escrevia teatro de costumes,
isto reforça a idéia de que, naquela época, bastava a menina ter sua menarca
e já estava disponível para o casamento.
E este é um dos principais pontos de mudança dos objetivos ideais da
mulher do início do século para a atual adolescente. De maneira geral, é
consenso que ela deve estudar, estudar e estudar. Queremos que a nossa
menina se capacite para entrar no mercado de trabalho, tenha estabilidade
fi nanceira e independência econômica, para depois pensar em casamento e
fi lhos. Nada contra esta meta. O que não podemos esquecer é que até lá, é
direito destes jovens exercerem a sua genitalidade, plena e livremente."


Fonte:ufrj.br

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