sábado, 10 de abril de 2010

Que essa sirva de lição a todos


Tragédia do Bumba começou na 2ª feira




"A tragédia ocorrida na quarta-feira (8), no Morro do Bumba, na Estrada Viçoso Jardim, em Niterói, foi anunciada por deslizamentos anteriores. Durante o dilúvio de segunda-feira (5), cinco pessoas já haviam morrido soterradas no local. Até 19h, uma hora antes do novo deslizamento, bombeiros ainda trabalhavam no morro. Às 20h, quando retornaram, só encontraram devastação.
Poucas horas após o início das escavações por bombeiros e populares, com a grande quantidade de barro e lama retirada pelas retroescavadeiras, enxadas, pás e mãos, ia junto a esperança de encontrar sobreviventes. Em muitos casos, de uma família inteira. A cada investida das máquinas e de homens e mulheres contra a montanha de um milhão e meio de toneladas de lixo, a sensação de perda gerava cada vez mais rostos apreensivos.
Assim foi a primeira noite de luta para resgatar centenas de pessoas debaixo dos escombros. Na quinta-feira, o prefeito Jorge Roberto Silveira decretou estado de calamidade pública.
“Só eu perdi 20 amigos. Não consigo acreditar que todas essas pessoas foram soterradas”, disse Rafael Oliveira, de 20 anos, observando o trabalho do Corpo de Bombeiros, por volta das 7h de quijnta-feira, quando todos puderam ter noção do tamanho da tragédia.
Em cada canto, entre gritos e lágrimas, pessoas buscavam notícias de parentes em meio aos escombros. “Havia três casas ali”, apontava Carmen Pimenta, de 47 anos, com o dedo em direção à beira da rua. Era uma das residências melhores localizadas, porque ficava bem na entrada da comunidade. “O terreno era grande e minhas primas construíram suas moradias nele, ficando perto de minha tia, mãe delas. Agora estamos aqui, olhando esse monte de terra e lixo, já sem esperança de que estejam vivos”, referia-se ao casal de tios, uma prima que morava com o marido e outra com o filho de um ano.
Ao redor da montanha de barro e entulhos, centenas de pessoas com olhares perdidos e apreensivos a cada corpo retirado pelos bombeiros. Uns tentavam localizar parentes, enquanto outros simplesmente rezavam, inclusive, por pessoas que nem conheciam. Em cada depoimento uma história de dor. Emerson Pires, 36 anos, vizinho da tragédia, fazia cálculos sobre o número de soterrados.
“Só em uma das casas havia cerca de 15 pessoas, que ficaram desalojadas durante o temporal de segunda-feira. Vieram para cá até poderem voltar para suas casas ou mudarem de endereço. Em outra havia 30 desabrigados”, afirmou, aumentando as especulações sobre o número de vítimas. Enquanto isso, um bebê de oito meses era retirado da montanha de lixo por uma médica do Samu, ainda com vida.
Em outro relato dramático, Leandro Almeida, 32, contou que uma senhora, identificada como Fátima, e primeira vítima fatal a ser encontrada, havia morrido em suas mãos. “Moro no Cubango e quando soube vim aqui para ajudar. Encontrei essa senhora presa nos escombros e segurei em sua mão. Pedi muito para ela agüentar, mas ela foi morrendo aos poucos e deu o último suspiro apertando minha mão”, contou, tentando segurar o choro.

Solo cedeu e saiu levando todas as casas
Para o coronel bombeiro, Pedro Machado, coordenador geral da Defesa Civil do Estado do Rio, as fortes chuvas que caíram nentre segunda (5) e terça-feira (6), enfraqueceram o solo, já bastante debilitado pelo chorume proveniente de um antigo lixão, onde as casas começaram a ser construídas há mais de 25 anos. “O solo estava encharcado e cedeu com o peso das construções. Veio tudo abaixo”, disse o coronel.
Segundo o coordenador da Metropolitana II da Samu, Gustavo Campos, as vítimas socorridas com vida estão sendo encaminhadas para os hospitais Azevedo Lima, Alberto Torres, Carlos Tortelli, Mario Monteiro, Antônio Pedro e para o Pronto Socorro de São Gonçalo. “Caso haja necessidade, os hospitais do Rio, federais e estaduais também estarão prontos para receber essas pessoas”, destacou.
Até o fim da noite de quinta-feira (8), todas as vítimas socorridas com vida, 56, haviam sido levadas para o Azevedo Lima, e a maior parte, com traumas leves, já havia sido liberada."

Lendo essa matéria no site osãogonçalo.com.br e também depois de tudo que vi pela TV, fica uma pergunta para que todos possa responder. De quem é a culpa por uma tragédia dessa. É fato a ineficiência de uma política pública habitacional e de controle de ocupação do solo. Por outro lado a necessidade premente das pessoas terem um local para morar e não encontra outra saída a ocuparem lugares de risco. Que essa tragédia sirva de lição ao poder público que melhore as condições de uma política habitacional e de ocupação do solo e do outro lado ao cidadão comum que tenha a condição de compreender que não é em qualquer lugar que deva kevantar seu abrigo.
Solidariedade a todos que perderam pessoas queridas na tragédia e aos vítimados o consolo de espírito e façamos o possível para que coisas como essa não mais aconteçam.

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