quarta-feira, 26 de maio de 2010

Comissão anistia Glauber Rocha; viúva terá pensão de R$ 2 mil

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O governo brasileiro concedeu nesta quarta-feira (25) a anistia política ao cineasta Glauber Rocha, morto em 1981. Um dos nomes mais importantes do cinema nacional, ele foi preso e teve a obra censurada pelo regime militar (1964-1985).
Glauber Rocha, em cena de 'Diário de Sintra', que relata os últimos dias do cineasta (Foto: Rede Globo/Reprodução)Em julgamento, realizado nesta tarde em Salvador, a Comissão de Anistia determinou o pagamento de pensão vitalícia de R$ 2 mil à última esposa de Glauber, Paula Gaitan. A viúva vai receber ainda R$ 234 mil, referentes às mensalidades retroativas à data do pedido de anistia, feito em 2006 por Paloma Rocha, uma das filhas do cineasta.
Hoje o país finalmente reconheceu a injustiça que cometeu contra Glauber. Foi um dia de refletir sobre como as ditaduras não conseguem conviver com a criatividade e a liberdade de expressão e de aprender para não repetir o passado"Paulo Abrão, presidente da Comissão de AnistiaDe acordo com a Comissão de Anistia, Paula Gaitan deve começar a receber a indenização em até 90 dias. Por lei, a reparação econômica é concedida a quem sofreu perseguição política entre 18 de setembro de 1964 e 5 de outubro de 1988.
Desculpas
Em nome do Estado brasileiro, o presidente da Comissão, Paulo Abrão, pediu desculpas à Lúcia Rocha, mãe do cineasta. Aos 91 anos, ela se emocionou ao assistir às homenagens do governo ao filho.
Um vídeo exibido durante o julgamento contou a trajetória de Glauber Rocha e os episódios em que ele foi preso e censurado pela ditadura militar.
“Hoje o país finalmente reconheceu a injustiça que cometeu contra Glauber. Foi um dia de refletir sobre como as ditaduras não conseguem conviver com a criatividade e a liberdade de expressão e de aprender para não repetir o passado”, afirmou Abrão.
O cineasta foi preso por 18 dias, em 1965, durante protesto contra a ditadura militar, no Rio de Janeiro. Nomes importantes do cinema mundial, como Jean-Luc Godard e François Truffaut, enviaram mensagens de repúdio ao então presidente da República, Castelo Branco.
Depois de solto, Glauber foi para Nova York, em 1971, onde passou cinco anos, para fugir do agravamento da repressão pelo regime militar.

Fonte: G1


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