quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os genes imitam os números (Chip do futuro)

Os genes imitam os números

 
Como cabe a uma boa história, esta começou numa madrugada. O ano era o de 1993. O matemático americano Leonard Adleman estava lendo um livro sobre genética em sua casa, em Los Angeles, quando, sem mais aquela, teve a idéia que pode vir a mudar completamente o conceito atual de computação. "Eu fiquei tão fascinado com a semelhança entre o comportamento dos genes e o dos números que gritei para minha mulher: 'Uau, isso é incrível'."
O cientista fez o relato acima à SUPER como um garoto que revela uma arte. Na verdade, a grande travessura seria feita depois, nos laboratórios da Universidade do Sul da Califórnia.
Adleman mergulhou na pesquisa genética e aprendeu a usar a lógica da organização natural das bases timina (T), adenina (A), guanina (G) e citosina (C) nas cadeias do DNA para solucionar problemas matemáticos. Em novembro de 1994, ele apresentou ao mundo o TT-100, um computador diferente de tudo o que se podia imaginar. Nada de chips ou de placas, só tubos de ensaio e braços mecânicos.
Capaz de resolver um único e pequeno problema o TT-100 seduziu montes de pesquisadores. Um deles, Richard Lipton, da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, conseguiu recentemente fazer operações algébricas usando a idéia de Adleman. "Agora as comportas da represa foram abertas", comemorou Lipton ao falar com a SUPER. "Usar material genético para fazer cálculos complicados já é uma realidade."
A grande vantagem do computador de DNA é a velocidade. Para solucionar uma operação, as máquinas de hoje precisam efetuar todos os cálculos possíveis, um a um, e depois analisar as alternativas até encontrar a certa. Já a resposta química é instantânea. É como jogar groselha num copo d'água. O conteúdo fica vermelho imediatamente. Uma beleza, não? Difícil é depois conseguir ler os resultados, já que as seqüências de DNA precisam ser pescadas com a ajuda de um microscópio. É como se você levasse 1 segundo para fazer a conta e uma semana para entender o que significam os números da solução. Resolver essa dificuldade é o grande desafio para o chip de DNA deixar de ser apenas um brinquedo de cientistas malucos.


Super interessante






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