sexta-feira, 28 de maio de 2010

Para EUA, acordo com Irã é insuficiente e tardio


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Os Estados Unidos desprezaram na sexta-feira os esforços do Brasil e da Turquia para mediar um acordo nuclear com o Irã, dizendo que Teerã deve sofrer novas sanções da ONU assim que possível.
Autoridades norte-americanas de alto escalão disseram a jornalistas, após uma semana de frenética movimentação diplomática, que o acordo de intercâmbio de combustível nuclear do Irã, apresentado no dia 17 por Brasil e Turquia, não respondeu às principais preocupações que envolvem o programa nuclear iraniano.
Os EUA e seus aliados acusam o Irã de tentar desenvolver secretamente armas nucleares, algo que Teerã nega.
"O problema subjacente é que o Irã continua a enriquecer urânio, e está obrigado a suspendê-lo conforme três resoluções (anteriores do Conselho de Segurança da ONU)", disse uma fonte, pedindo anonimato.
"Em nossa opinião a declaração conjunta fica aquém do necessário. Mas, independentemente dessa (...) proposta, é importante irmos a Nova York adotar a resolução."
Turquia e Brasil - membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU - anunciaram um acordo pelo qual o Irã enviaria para território turco 1.200 quilos de urânio baixamente enriquecido, para em troca receber, no prazo de um ano, 120 quilos de urânio enriquecido a 20 por cento, para uso em um reator de pesquisas nucleares.
A proposta havia sido lançada inicialmente em outubro pela ONU. Brasil e Turquia dizem que ela deveria bastar para pelo menos adiar a adoção de novas sanções ao Irã.
Mas os EUA consideram que o acordo é insuficiente, chega tarde demais e só serviria para que o Irã ganhasse tempo.
Uma fonte oficial lembrou que, quando a proposta surgiu, o Irã possuía um estoque de urânio estimado em justamente 1.200 quilos, mas que desde então já o quase duplicou. Isso significa que, mesmo enviando material para a Turquia, o Irã ainda ficaria em tese com urânio suficiente para tentar desenvolver armas nucleares.
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, deve se reunir na terça-feira em Washington com seu colega turco, Ahmet Davutoglu, para discutir o assunto, segundo P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Mas fontes norte-americanas de alto escalão deixaram claro que de maneira alguma o acordo mediado por Brasil e Turquia resultará num adiamento das novas sanções da ONU ao Irã. A expectativa é de que a resolução seja levada a votação no Conselho de Segurança nas próximas semanas.


O Globo


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