sexta-feira, 18 de junho de 2010

Efeitos secretos da Televisão


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Ainda criança lembro que as pessoas ao entardecer,início da noite colocavam suas cadeiras na calçada em frente ao portão e passavam horas ali conversando, contando causos, falando de histórias isso ia até umas 21:00 horas depois todos se recolhiam ou iam dar uma ouvida no rádio a pilha ou iam dormir. Hoje todos sentam em frente a TV e alí vai até o final da novela das 9:00, cada um em suas casas. Interessado neste assunto sobre o efeito da TV na vida das pessoas encontrei um texto meio perdido na internet que achei interessante.
"O avanço tecnológico dos Meios de Comunicação e seus efeitos sobre a Sociedade e o Homem modernos têm sido bem estudados pela Sociologia, Antropologia Cultural e outras Ciências. Existem, no entanto, inúmeros outros efeitos não pesquisados, a não ser pelos estudiosos das Ciências Ocultas.
Para que possamos avaliar devidamente a importância do tema é essencial considerar algumas informações preliminares. Desde os tempos mais remotos e em todas as culturas a imagem e o ser retratado são considerados intimamente unidos, guardando uma conexão secreta, o que sempre foi utilizado pelos magos para causar influências desejadas. Assim, por exemplo, na cultura vodu, o boneco que simboliza a vítima é necessariamente manufaturado com o maior número de detalhes possível.
Muitas tribos primitivas recusam-se terminantemente a deixar-se fotografar, pois temem que sua alma seja capturada ou que sua efígie seja utilizada com propósitos mágicos. Tanto quanto o nome e muito mais do que ele, a figura representa a porção exterior da alma, o veículo terreno e portanto frágil, que deve ser resguardado. Podemos acreditar, também, que o uso do véu e a proibição de ser visto para determinadas pessoas são elementos recorrentes em todos os povos. Tão importante é a imagem que não há Religião que não tome posição a respeito, seja para proibi-la, como o Islamismo e os Cultos Protestantes ou para torná-la parte essencial do rito, como na Religião Católica e nos cultos Afro-brasileiros. Caso curioso é o Xintoísmo, que em seu altar ostenta um espelho circular no qual ninguém pode mirar-se, símbolo perfeito da busca do fiel. Esse espelho mágico teria sido dado pela Deusa do Sol, Amaterasu, para a estirpe do imperador. Os espelhos também partilham da importância simbólica da imagem, gerando toda uma série de tabus e práticas ocultas extensas demais para citar aqui.
O caso específico da Mídia Eletrônica, notadamente a TV, apresenta conseqüências bastante imprevistas para aqueles que estão constantemente expostos em todos os monitores. Embora seja um fenômeno relativamente recente em termos mágicos, pois ainda não completou nem um século de existência, na verdade é um dos fatores mais determinantes da atual face do homem moderno e seu inconsciente coletivo.
É muito importante salientar que não é por acaso que as palavras imagem, magia e imaginação partilham do mesmo radical. De fato, a verdadeira magia é criar imagens, é imaginar o real para recriá-lo. Dessa forma, em nossa sociedade profana, completamente distanciada do sentido sagrado, a TV ocupa o lugar dos oráculos e espelhos mágicos de outrora. Catalisando a emoção, o sonho e a imaginação de todos, a TV estabelece um novo referencial e um parâmetro único, no qual o homem vê a si mesmo como prefere, numa ilusão coletiva e mutuamente consentida. Isso decorre do simples fato de que o veículo impõe uma visão bidimensional não só da imagem, mas também do discurso. Devido a necessária rapidez das informações, as próprias idéias devem ser simples e concisas, decupadas, facilmente digeríveis. Em função disso, o profissional que empresta sua imagem para a transmissão desses dados simples transforma-se, por sua vez, em apenas mais um signo. Assim como um logotipo ou o rótulo de um produto, a face, inevitavelmente, passa a ser associada ao teor da mensagem. Esse processo de despersonalização crescente é facilmente percebido quando avaliamos o efeito em alguém que chega ao vídeo e ao longo do tempo começa a sofrer toda uma série de transformações sutis mas nem por isso menos evidentes.
Veículo supremo da vaidade moderna, a TV influencia decisivamente a auto-imagem de quem nela se expõe. A máscara, de tanto ser usada, apega-se ao rosto. E o transforma ao ponto em que já não se pode dizer com certeza o que há por trás dela. Não é por outra razão que as emissoras de TV são o caldo cultural ideal para toda sorte de conflitos e intrigas palacianas.
Ao criar uma relação de dependência com o público, o apresentador, na verdade, pratica uma forma de vampirismo moderno, via satélite. Embora invisível e apenas mensurável pelos índices de audiência, o retorno emocional que a massa imprecisa de telespectadores propicia constitui uma carga energética de proporções incalculáveis. Por isso o comunicador erigido em totem, em ícone, pode dar margem a vários efeitos ocultos tanto positivos quanto negativos. A título de ilustração é indispensável citar casos da morte bárbara de Daniela Peres, o acidente sofrido por Luciene Adami ao ser escalada pela Globo, e os inúmeros artistas que tiveram e têm problemas com álcool e drogas, Xuxa e os rapazes que seus seguranças tiveram que matar para evitar o seqüestro. Cada um, com certeza, pode lembrar outros exemplos de como a energia coletiva influencia artistas e comunicadores. Também é notório que a exposição contínua na TV envelhece decisivamente a pessoa, na medida em que tolhe a sua espontaneidade e a submete a um processo de padronização. Os magos e xamãs de todos os tempos sempre enfatizaram que o poder pessoal e a espontaneidade estão intrinsecamente ligados. Permanecer jovem e bonito é o resultado de uma auto-realização baseada na adaptação constante, fruto de uma flexibilidade interior e, principalmente, de um senso de humor muito apurado. O mago, ao rir de si mesmo, exercita um direito e um dever que o mantém atento, conectado com o fluxo cambiante da realidade, com o ritmo secreto das coisas. Em última análise, o domínio desse ritmo secreto é a chave dos fenômenos de audiência e explica o sucesso de tantos apresentadores. É o que chamamos de carisma.
A uniformização, por outro lado, ao buscar um formato facilmente inteligível e colocar as individualidades a serviço da "individualidade" da emissora, aniquila o caráter espontâneo da comunicação e, na maioria dos comunicadores, corrompe ou, no mínimo, altera a sua percepção da realidade. A partir daí a vontade de agradar o público e continuar na onda do sucesso torna-se um processo extremamente desgastante, Pessoas naturalmente vaidosas que são, os comunicadores logo sentem esse desgaste e entram em processo de stress, gerando um círculo vicioso fatal para o viço da pele e para a audiência. Um efeito colateral bastante inusitado é o da contínua exposição às luzes dos estúdios. Sua extrema intensidade, além de afetar o relógio biológico de cada um, cria um cenário perigosamente fora da realidade que supostamente deveria espelhar. Correndo apressados em um labirinto de metal e vidro onde sempre é dia, jornalista e comunicadores correm o risco de preferir este mundo eletrônico, artificial a qualquer outra coisa. Estranhamente, a TV compartilha com várias formas de arte, um laço comum: vicia. Como a cachaça, a que sempre é comparada, a televisão é tão sedutora que não é incomum os artistas incluirem familiares em programas de televisão. E o mais incrível é que às vezes até acabam sendo aceitos pelo público. Também não é incomum atores e atrizes, no decorrer de uma novela, serem subjugados pela força mágica das personagens e apaixonar, casar e brigar sempre à vista da multidão e para maior glória do público. Os boatos perversos que percorrem o país como chamas no capim seco também nascem da mesma fonte obscura da qual brotam os grandes sucessos. Fãs alucinados e obsessivos, cartas anônimas, ameaças de morte, tudo o que seria terrível e impensável para uma pessoa que não seja do ramo, faz parte e é inevitável para os profissionais da área. A tensão resultante de todos esses fatores é uma das razões para o aspecto vítreo que o olhar de muitos comunicadores e jornalistas apresenta. Como robôs padronizados pela beleza e juventude e articulados sempre pela forma mecânica de falar igual uns aos outros, eles anulam-se em bloco e perdem audiência para apresentadores que gritam por Jesus ou por Justiça.
Parece óbvio também que a pessoa que está no ar, ao vivo, pode ser alvo de vários tipos de influências que os magos não desprezam, pois é sabido que o pensamento e a emoção, combinados, são tudo o que realmente importa em qualquer prática mágica. Assim, de certa forma, a legião de adolescentes que se masturba, sonhando com os/as artistas ou qualquer um dos inúmeros símbolos sexuais que a TV, generosamente, nos propicia a qualquer hora, gera uma imensa carga de energia que pode ser tanto um elixir da juventude quanto um Retrato de Dorian Gray para os seus alvos. E certamente não é outra razão para que os artistas sejam tão notoriamente místicos e/ou supersticiosos, totalmente entregues a seitas e gurus, cristais e numerólogas. Curiosamente, um dos poucos artistas declaradamente ateus, Lima Duarte, usa o nome do Guia Espiritual que sua mãe recebia em um Centro Espírita...
A força do veículo é tamanha que leva as pessoas a fazerem coisas definitivamente estúpidas, como usar óculos apenas para simular inteligência ou profundidade ou fazer coisas aviltantes, como tornar-se platéia profissional ou "papagaio de pirata". Em grau ainda pior, a humilhação pode chegar ao ponto supremo de expor seu lixo pessoal em público, como em vários programas populares. Assim, cada vez mais os canais de TV a cabo ficam direcionados, especializados e acabam segmentando o público, ficando com a elite cultural e econômica ao buscar a personalização de forma progressiva, sondando a audiência como uma realidade humana e dinâmica.
É correto afirmar, também, que várias medidas mágicas poderiam ser utilizadas para aliviar a tensão nos ambientes das emissoras, entre elas o uso de plantas e cristais específicos, bem como símbolos adequados para estimular a comunicação e a criatividade. A criação de espaços de lazer e descanso para os profissionais também são eficazes em qualquer caso, assim como qualquer medida humanizante. Muitas empresas utilizam o Feng Shui com bons resultados.
Outro fenômeno ainda carecedor de análise é o das pessoas que instalam minicâmeras em suas casas e ficam "no ar" vinte e quatro horas por dia na Internet, no que poderíamos chamar de efeito Truman, pois como no filme "O Show de Truman", a vida alheia passa a ser um espetáculo, com tudo de patético e miserável que possa conter. Outro tipo de síndrome de Truman é o das pessoas que parecem atuar constantemente, uma vez estimuladas em sua vaidade, pelos clássicos 15 minutos (hoje segundos) de fama. Ainda mais interessante é o caso Uri Geller, no qual pela primeira vez a TV deixou de ser um veículo passivo, em termos mágicos, para servir de meio ativo para influenciar o público, causando tantos fenômenos que impressionaram até o próprio Geller. Os magos, no entanto, não se surpreenderam devido ao conhecimento de tudo o que consta do presente ensaio e muito mais que poderia ser acrescentado.
Vênus Platinada ou máquina de fazer doidos, caixas de ilusões ou espelho da Modernidade, a Televisão apresenta uma capacidade imensa de gerar influências ocultas tanto para o espectador quanto para os seus profissionais. Conhecer e dominar essas influências é essencial para a sobrevivência do veículo e para a própria sanidade espiritual do Homem moderno.



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