sábado, 21 de agosto de 2010

ANÁLISE-Dilma, com marca de Lula em 2006, evitará 2o turno?


Era agosto de 2006. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha exatos 47 por cento das intenções de votos pelo Ibope, o mesmo patrimônio que a atual candidata do PT possui hoje no Datafolha. Naquele ano, no mesmo período, institutos mostravam definição no primeiro turno, mas deu segundo.
Dilma Rousseff abriu largos 17 pontos de liderança sobre o candidato do PSDB, José Serra, mostrou pesquisa neste sábado, e consolidou prognósticos numéricos de vitória em 3 de outubro.
Ela recebeu 47 por cento das intenções de voto, enquanto o tucano levou 30 por cento, seu patamar mais inferior.
O PT prega o salto baixo e está certo em mandar essa mensagem à militância. Um dos mais prudentes mandamentos de uma eleição é a cautela, mesmo quando as sondagens chegam tão cedo alvissareiras.
Apesar das estatísticas, novas e velhas, e do fato de uma eleição sempre ser suscetível ao imponderável, um segundo turno dependerá dos próximos 42 dias de campanha. Os tucanos devem partir para cima para tirar a diferença; Dilma tem apenas de ficar longe de problemas.
"As pesquisas mostram um crescimento acelerado, mas a gente tem que cuidar pra não relaxar," disse à Reuters o presidente do PT, José Eduardo Dutra.
Na campanha de reeleição de Lula, em 18 de agosto, o Ibope o trazia num confortável primeiro lugar. Geraldo Alckmin, até aquele momento desconhecido além de São Paulo, tinha 21 por cento. O programa de TV o faria crescer à medida que se tornava mais conhecido. O "escândalo dos aloprados" e a ausência do presidente no último debate do Jornal Nacional acabaram por tirar o primeiro turno das suas mãos.
Mas há algumas diferenças na realidade de antes e de depois. O condimento da "continuidade" não era tão forte como é agora, nem Lula era o Lula de hoje.
"O Lula de hoje é bem maior que o Lula de quatro anos atrás e isso faz uma diferença enorme", completou Dutra.
O presidente, cuja popularidade beira os 90 por cento no Ibope recente, possuía 47 por cento das intenções de voto e uma aprovação pessoal 57 por cento quatro anos atrás. Seu governo, hoje com 78 por cento de avaliação positiva, recebia apenas 41 por cento das menções "ótimo e bom."
O petista ficou tão popular que bater nele virou tática kamikaze. Tanto é assim que o presidenciável tucano já começou a usá-lo em sua propaganda publicitária.
Em 2002, José Serra saltou do terceiro lugar nas sondagens e levou a disputa para o segundo turno. O sentimento era o inverso, o da mudança, e Lula, na oposição, levou a maioria dos votos válidos.
"A campanha do Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff," escreveu o editorial do jornal Folha de S.Paulo em sua edição desta manhã.
No universo das "curvas", "médias ponderadas" e das perguntas estimuladas e espontâneas, o cenário pintado por Datafolha, Ibope e Vox Populi traz, de fato, avaliações deterministas.
Os próximos 42 dias serão capazes de mudar a cabeça do eleitorado?
"Só existe uma coisa certa sobre o futuro: ele é incerto e não está escrito em nenhum lugar, nem nas estrelas nem nas pesquisas", ponderou o deputado Luiz Paulo Velloso Lucas, candidato do PSDB ao governo do Espírito Santo e uma das pessoas mais próximas a Serra no partido.


Reuters

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