quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Denúncias derrubam ex-auxiliar de Dilma na Casa Civil


Atingida por denúncias de tráfico de influência envolvendo seu filho, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, pediu demissão da pasta nesta quinta-feira.
Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua saída foi anunciada a pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições. Substituta da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, Erenice foi seu braço direito na pasta, que chefiou a partir de 31 de março.
As denúncias envolvendo familiares de Erenice se somam às notícias de quebra de sigilos fiscais de pessoas ligadas ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que esquentaram a campanha eleitoral.
Até o momento, o vazamento de dados do fisco não tiveram impacto sobre a corrida presidencial, segundo as pesquisas. Nesta manhã, nova sondagem Datafolha mostrou Dilma com 51 por cento das intenções de voto, oscilando 1 ponto para cima contra 27 por cento de Serra.
Desde o fim de semana, Dilma vinha afirmando que não se sentia atingida pelas denúncias envolvendo a família da ex-auxiliar. Após ser anunciada a saída da ministra, a presidenciável afirmou que "Erenice tomou a atitude mais correta". .
Serra aproveitou o episódio das novas denúncias para dizer que mostram que a Casa Civil havia se tornado um "centro de maracutaias", uma vez que o primeiro titular no governo Lula, José Dirceu, teve que deixar o cargo em meio ao escândalo do mensalão.
O efeito do caso do suposto lobby comandado por filho de Erenice, por ser mais recente, pode não ainda ter sido medido nesta última pesquisa, mas analistas ouvidos pela Reuters não acreditam, neste momento, que ele atrapalhe as chances de vitória de Dilma no primeiro turno.
"As chances de que isso force um segundo turno ainda são bastante pequenas. A oposição terá que ser bastante habilidosa para explorar o caso", disse o consultor político Amaury de Souza.
"Os escândalos de corrupção até agora não mudaram a preferência dos eleitores, com exceção daqueles com grau de instrução ou renda mais elevados. Isso é insuficiente para mudar as possibilidades", acrescentou.
Christopher Garman, analista político do Eurasia Group, vai na mesma linha.
"A intenção de voto dela pode recuar alguns pontos, mas não há virtualmente nenhum risco de que isso possa forçar um segundo turno. O impacto será muito pequeno", previu.
Assume interinamente a Casa Civil o atual secretário-executivo, Carlos Eduardo Esteves Lima. Segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, a mais cotada para o posto é Miriam Belchior, atual subchefe de Articulação e Monitoramento da pasta.

PAZ E TEMPO
Dizendo-se surpreendida pelas acusações que pesam sobre seu filho e um ex-auxiliar, Erenice chamou as denúncias de "ilações" e "mentiras", mencionando ainda que se trata de uma "sórdida campanha" contra sua imagem, de seu trabalho e de sua família.
"Preciso agora de paz e tempo para defender a mim e a minha família, fazendo com que a verdade prevaleça o que se torna incompatível com a carga de trabalho que tenho a honra de desempenhar na Casa Civil", disse Erenice na carta de demissão lida a jornalistas por Baumbach.
De acordo com fonte do Planalto, Erenice não teria "aguentado o tranco" da sucessão de denúncias. "Político tem a casca mais grossa, técnico não", afirmou a fonte.
A pressão sobre Erenice, advogada de 51 anos nascida em Brasília, subiu ainda mais depois que o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem nesta quinta, como já havia feito a revista Veja no fim de semana, indicando que Israel Guerra, filho da ministra, realizava tráfico de influência junto ao governo.
O assessor da Casa Civil Vinicius Castro, que pediu demissão na segunda-feira, faria parte do suposto esquema, segundo a Veja.
Erenice nega envolvimento no lobby e na terça-feira emitiu nota acusando Serra, sem citá-lo diretamente, de aético, afirmando que ele já está derrotado nas eleições. O tom da nota e seus termos teriam desagradado o Planalto.
A Comissão de Ética da Presidência da República, por solicitação da própria Erenice, iniciou a apuração de possível violação de conduta na segunda-feira.
A Polícia Federal vai apurar se a participação de advogados, empresas e do filho da ministra Israel Guerra constitui tráfico de influência. Por ocupar cargo de ministra, ela só poderia ser investigada com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).



Reuters

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