terça-feira, 5 de outubro de 2010

Aliados de Dilma mostram preocupação e veem campanha difícil

Governistas vitoriosos na eleição de domingo manifestam nos bastidores apreensão com o segundo turno.
O "pé atrás" foi relatado à Reuters por três governadores eleitos que se reuniram com Dilma Rousseff na véspera para mostrar apoio nesta fase da campanha.
Dois desses participantes travaram um diálogo após o encontro: "Estou preocupado", dizia o primeiro. "Vai ser uma eleição muito difícil", concordava o outro. Ambos pediram que suas identidades fossem mantidas no anonimato.
Horas antes desse diagnóstico, a candidata do PT posava para uma foto "peso pesado" ao lado de políticos consagrados nas urnas. O objetivo era indicar "força na arrancada".
Dilma venceu o primeiro turno com 46,9 por cento dos votos válidos, mas não foi o suficiente para evitar uma segunda rodada contra José Serra (PSDB), que teve 32,6 por cento.
Estiveram presentes no encontro com a petista mais de 50 autoridades políticas para uma reunião ampliada, em que a candidata ouviu conselhos de evitar o "salto alto" e apelos para que haja mais abertura a aliados nas decisões da campanha.
Muitos ali identificaram uma variedade de problemas que impediram Dilma de ser eleita no domingo. Os líderes da lista: ter cometido o pecado de acreditar que a eleição estava resolvida e não saber reagir à onda de boatos contra a candidata, onda essa que acabou por engordar outra, a "onda verde".
"O voto ético e o ideológico (religioso) provocaram o resultado. Agora será preciso restabelecer o contato com a classe média, os jovens", disse um dos presentes, para quem Dilma precisa, ainda, aparecer mais no meio do povo, e não protegida da população e dos jornalistas, como vem ocorrendo.
Essa, aliás, foi uma queixa do mesmo público em café da manhã nesta terça-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula continuará protagonista neste segundo turno, e até chegou a avaliar ter sido subutilizado no primeiro. Mas alguns dos aliados de segunda-feira argumentaram que uma superexposição do presidente poderia, no estágio atual, passar a imagem de que a candidata não anda sozinha.
De um jeito ou de outro, a receita da disputa "plebiscitária", como quer Lula, pressupõe, sim, o uso intenso de sua imagem.



Reuters

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