quarta-feira, 6 de outubro de 2010

As influências ideológicas do trabalho e as perspectivas para o século XXI


A noção de trabalho humano associa-se, de um lado, a um significado degradante, expresso na antigüidade, e de outro, penoso e gratificante, expresso pela interpretação humanista do trabalho. Nesse âmbito, com as Reformas protestante e católica, no século XVI, e a hegemonia do capitalismo, a partir do final do século XVIII, o trabalho fora incorporado à ideologia burguesa como categoria universal e fundadora de toda a vida social, como atividade natural de produção e troca de valores de uso, necessária à reprodução material da vida em sociedade. Vê-se que esta sociedade, ao longo da história, absorveu uma noção relativizada do trabalho, partindo do “comerás o pão com o suor do teu rosto” até o “time is money”.
A partir da lição dos clássicos, verifica-se que novas dimensões e formas de relacionamento na sociedade pós-industrial procuram identificar no valor-conhecimento – não mais no binômio valor-trabalho- novas características estruturais, traduzindo-se num perfil diferenciado das relações, baseado na colaboração entre fornecedores, porém, sempre na perspectiva da cooptação do trabalho pelo capital, ainda que o discurso seja outro.
Ou seja, as imensas possibilidades de um magnífico progresso de conhecimento, pelo trabalho humano, poderão se frustar em uma tecnologia destrutiva da natureza e distanciada da felicidade dos homens. Porém, se a categoria “trabalho” for resgatada e alçada como o eixo condutor da sociedade, certamente o trabalho poderá desfrutar de vantagens advindas de uma nova ideologia de trabalho da sociedade do século XXI.

 
Christian Marcello Mañas

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