quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ataques no Iêmen e alertas elevam o medo de atentados na Europa

Um alerta francês sobre possíveis atos de terrorismo na Grã-Bretanha e dois ataques lançados contra europeus no Iêmen intensificaram nesta quarta-feira as preocupações com a segurança no Ocidente, mas a Alemanha buscou acalmar os temores, dizendo que falar demais em público sobre os riscos pode suscitar medo.

Supostos militantes da Al Qaeda atacaram dois alvos ocidentais no Iêmen, disparando um foguete contra o carro de um diplomata britânico e matando um francês em uma instalação de gás e óleo.
A França foi o mais recente país a emitir um alerta sobre segurança, recomendando cautela a seus cidadãos que viajam para a Grã-Bretanha devido ao risco muito alto de ação terrorista nesse país, que pode ocorrer nos transportes públicos ou locais turísticos.
No domingo os EUA lançaram um alerta orientando cidadãos norte-americanos a agirem com cautela quando viajar pela Europa. No mesmo dia, a Grã-Bretanha elevou de "geral" para "alto" o grau de ameaça a seus cidadãos que viajam à Alemanha ou França.
Em Berlim, porém, o ministro do Interior Thomas de Maiziere disse que não viu indicativos de qualquer ataque iminente contra a Alemanha, apesar de o país como um todo continuar a ser um alvo.
Falar sobre ataques possíveis representa entrar no jogo dos terroristas, disse ele, porque alimenta os medos da população.
"A discussão pública é algo que os terroristas utilizam, porque querem espalhar o medo. Estamos trabalhando, mas não estamos falando muito sobre isso", disse De Maiziere à rádio Deutschlandfunk.
Fontes de segurança disseram que a série de avisos foi desencadeada por informações de inteligência sobre um possível complô vinculado à Al Qaeda para lançar contra cidades europeias ataques nos moldes dos desfechados por militantes paquistaneses contra Mumbai, na Índia, em 2008, que deixaram cerca de 170 mortos.
"Só posso pedir às pessoas que acreditem quando dizemos que as agências de segurança estão trabalhando intensa e profissionalmente", disse De Maiziere,
"Ninguém deve duvidar que a Alemanha é alvo de terroristas, mas, por outro lado, não há planos concretos de ataques imediatos dos quais tenhamos conhecimento."
O ministro disse que não pode confirmar relatos de funcionários de inteligência paquistaneses, segundo os quais oito militantes de nacionalidade alemã teriam sido mortos em um suspeito ataque de mísseis dos EUA no noroeste do Paquistão, na segunda-feira.
"O que me surpreende é que esse ataque teria acontecido anteontem em uma área inacessível, feito por aviões não tripulados, e ao mesmo tempo teriam sido encontrados documentos de identidade. Isso parece estranho", disse De Maiziere.
"Considero isso possível, mas não confirmado."
No Iêmen, um francês foi morto em um incidente com tiros no interior do complexo do grupo austríaco OMV, de gás e petróleo, informou o Ministério do Exterior francês.
O Ministério do Exterior britânico disse que um míssil foi disparado contra um veículo da embaixada no qual estava o vice-chefe da missão britânica em Sanaa, a capital do Iêmen. Um funcionário da embaixada sofreu ferimentos leves.
Os desafios de segurança no Iêmen, que incluem o braço local da Al Qaeda e separatistas no sul do país, vêm elevando os receios ocidentais e dos países árabes do Golfo de que o país possa tornar-se um Estado falido e refúgio seguro para militantes.
O alerta vago lançado pelos EUA no domingo sobre riscos de ataques terroristas na Europa evidencia a sensibilidade aumentada de Washington para possíveis ataques, após mais de um ano de atentados fracassados lançados contra alvos norte-americanos por militantes residentes no próprio país, com frequência norte-americanos.



Reuters

Nenhum comentário:

Postar um comentário