sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Começou a corrida para o show do ex-Beatle Paul

Começou ontem (14), pouco antes da meia-noite, a pré-vendas de ingressos para o show de Paul McCartney no estádio do Morumbi em São Paulo. Apesar da onda de boatos em sites, blogs e jornais sobre o travamento do sistema do “Ingresso.com”, tudo correu bem e as vendas continuam disponíveis até o momento. Para o show do estádio Beira-Rio de Porto Alegre os ingressos se esgotaram em poucas horas, o que causou furor entre os fãs gaúchos.

Paul confirmou hoje (15) um segundo show em Buenos Aires, em 11 de novembro, o que pode segurar mais os fãs latinos das vizinhanças que pensavam em vir ao Brasil para uma das apresentações. Ao mesmo tempo, os paulistanos aguardam a confirmação definitiva do segundo show no Morumbi. O Bradesco, patrocinador do evento, confirmou a segunda data para 22 de novembro, uma segunda-feira, mas a produção ainda não oficializou.
O show promete agradar a todos, apesar dos boatos desavisados, o set list de McCartney é recheadíssimo de hits dos Beatles, terá, certamente, “Hey Jude” e “Let It Be”; mas ele tem acrescentado canções lado B dos Wings, como “Mrs. Vandelbit” e “Letting Go”. Afinal, ele comemora o aniversário do álbum “Band on the run” com um pomposo lançamento remixado do disco original de 1973, um dos melhores da fase Wings.

Para fechar a festa, o site oficial de Paul abriu um alegre concurso de covers da canção “Band on the run”, as bandas e artistas solo podem postar no Youtube seus vídeos e enviar para a conta do concurso em www.youtube.com/group/coverbandontherun. O vídeo mais votado será agraciado com uma edição de luxo do álbum, acompanhada de um DVD numa bela caixa de papel cartão.

Paul McCartney volta ao Brasil depois de 17 anos, ele esteve no Rio de Janeiro em 1990, pela primeira vez, quando entrou no Guiness Book pela maior plateia de artista solo, 184 mil pessoas. Depois voltou em 1993 para se apresentar em São Paulo – onde se hospedou numa casa alugada no Guarujá, diziam as revistas de fofoca que ele mandou instalar um piano de cauda para brincar enquanto permanecesse por lá – e em Curitiba, no teatro ópera de arame, na Pedreira Paulo Leminski, o show histórico divulgava o disco “Off the ground”, que estourava nas FMs brasileiras com “Hope of deliverance”, era o auge da fase ecologista de Paul, e as músicas refletiam isso. O disco anterior, “Fowers in the dirt” trazia uma dedicatória especial à memória de Chico Mendes, na canção reggae “How many people”, apesar do grande hit radiofônico ter sito “My brave face”.

Dessa vez, Paul vem divulgando um álbum ao vivo, o “Good evening New York City”, duplo lançado ano passado com o maravilhoso show no lugar onde fora, nos anos 1960, o Shea Stadium, que sediou a primeira apresentação de um conjunto de rock ao ar livre para mais de 60 mil pessoas, em 1965, eram os Beatles em seu ponto alto. Mas as canções inéditas ficam por conta dos dois últimos discos de Paul, respectivamente “Memory almost full”, de 2007 e “Electric arguments”, de 2009, ambos ótimos trabalhos, sendo o primeiro mais pop e o último mais experimental, trazendo inclusive uma performance de Paul no baixo acústico, em “Two magpies”.

A grande polêmica desse show ficou por conta dos preços dos ingressos. O absurdo de 700 Reais pela área premium, que, diga-se de passagem, ainda está por trás do fosso reservado à imprensa e aos convidados VIPs (“artistas” de TV, patrocinadores), é uma marca inédita. Há ainda um pacote VIP que custa R$ 3 mil e da o direito de assistir à passagem de som que Paul faz questão de conduzir pessoalmente. O aumento sensível no preço dos ingressos nos últimos anos parece não assustar os fãs, mas é o reflexo de uma supervalorização do show ao vivo, o que para os artistas é uma nova fonte de recursos, um novo nicho de mercado. O show dos Beatles no Hollywood Bowl, nos EUA, em 1965, custou ao público a mísera quantia de cinco dólares. A afobação em torno da compra de ingressos, o medo de que acabem mesmo com esse valor abusivo, remonta à memória de fãs que, em 1990 compraram ingressos para o show de Paul no Rio com apenas uma semana de antecedência em quiosques dos shoppings. O fundador do grupo “Revolution 9”, o maior fã clube brasileiro sediado em São Paulo, Marco Antônio Mallagoli, que conheceu pessoalmente os quatro beatles e esteve com McCartney nos camarins do show de 1993, quando lhe presenteou com um humilde contrabaixo de fabricação brasileira, respondeu essa semana às reclamações que tem recebido por e-mail quanto ao preço dos ingressos e quanto ao monopólio da empresa Ingresso.com – que cobra uma “taxa de conveniência” de 16%. Ele comenta: “Só se ninguém for ao show, dai o pessoal aprende a respeitar os fãs... he he he...Vamos boicotar o Paul McCartney... he he he, o que vocês acham? (Eu vou nos shows, tô fora...he he he)”.

Na Argentina, os ingressos mais caros equivalem a R$ 590, e nos Estados Unidos, era possível comprar ingressos bem posicionados por até 135 dólares, ou R$ 220. Mesmo assim, o super faturamento dos ingressos é um fenômeno global que corresponde a um novo formato da indústria musical, a um crescimento das plateias de classe média e alta nos países em desenvolvimento, e a especulação simbólica das empresas de produção cultural. É certo que o cachê do artista não é barato, mas muitas vezes o montante destinado a ele é bem menor do que o arrecadado. O Brasil também costuma abusar um pouco, o “Rage Against the Machine”, que acabou de se apresentar no festival SWU em Itu, São Paulo, ao descobrir que haveria uma distribuição VIP para o “gargarejo” do palco, reagiu incentivando a invasão da área restrita pelos fãs comuns. Até mesmo no show “democrático” dos “Rolling Stones” na praia de Copacabana, em 2006, havia uma extensa área para “very important people”, como estrelas da novela das oito e socialites que rebolavam ao som de “Satisfaction”, o único som familiar na noite, foram somente eles que puderam interagir com Mick Jagger quando este avançou no palco móvel sobre a plateia.
De qualquer forma, os ingressos estão aí, demasiado seletivos, mas enfim temos o retorno do velho Macca, melhor do que nunca, aos 68 anos completos e com uma banda de apoio bem jovem. O show deverá ser histórico, e nós estaremos lá, por quatro vezes sem juros, uma gracinha dessas só se faz uma vez a cada dez anos!

Marcello Gabbay






2 comentários:

  1. Passamos e gostamos do blog. Gostaríamos que, se pudesse, também conhecesse o nosso. Um abraço!
    http://absintomuitorock.blogspot.com/

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  2. Qual o nome da musica que toca no seu blog? Desde já, obrigado.

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