segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Eleições


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, caiu para 49 por cento das intenções de voto, segundo pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira, mas a diferença para seu adversário José Serra (PSDB) oscilou negativamente apenas 1 ponto e agora está em 11 pontos.
Segundo dados publicados no site iG, Dilma caiu 2 pontos percentuais em relação à pesquisa da semana passada, enquanto Serra oscilou de 39 para 38 por cento. O que aumentou foi o número de eleitores indecisos, que passaram de 4 para 7 por cento. A margem de erro da pesquisa, é de 1,8 ponto percentual.
A parcela dos eleitores que planeja votar em branco ou anular o voto, no dia 31, manteve-se em 6 por cento.
A petista segue com sua maior vantagem no Nordeste, onde bate o tucano por 64 a 27 por cento. Já Serra vence Dilma apenas no Sul, por 47 a 39 por cento. No Sudeste, o placar é de 44 a 40 por cento a favor da candidata do PT.
O Vox Populi ouviu 3.000 pessoas, entre sábado e domingo, em 214 municípios do país.

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, apresentou nesta segunda-feira 13 "compromissos de governo" em um texto genérico que repete mantras da política econômica, sinaliza a quem teme por retrocesso na democracia e faz agrados a ambientalistas, sem descuidar do foco social.
"A política macroeconômica será consistente com o equilíbrio fiscal, com o controle da inflação, com uma baixa vulnerabilidade a choques e com o crescimento mais rápido na renda das camadas mais pobres da população", promete o texto no segundo ponto.
Falando a jornalista, Dilma voltou a afirmar que defende o regime de câmbio flutuante, o sistema de metas de inflação e disse que o Brasil tem uma "blindagem internacional", referindo-se ao elevado patamar das reservas internacionais do país, hoje em mais de 280 bilhões de dólares.
A ausência de menções à política cambial, que tem sido alvo de várias medidas nos últimos dias diante da forte valorização do real contra o dólar, foi justificada de maneira sucinta pelo coordenador do programa de governo da candidata, Marco Aurélio Garcia, que é assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República.
"Questão de câmbio não é questão de programa de governo", disse Garcia a jornalistas.
Sem se comprometer com uma reforma tributária ampla, que os especialistas dizem ser de difícil execução política --tanto que nem Fernando Henrique Cardoso nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva obtiveram êxito na empreitada nos últimos 16 anos--, o documento divulgado nesta segunda-feira fala em "mudanças" para racionalizar o sistema.
"Em acordo com Estados e municípios, serão complementadas mudanças tributárias que racionalizem e reduzam os efeitos socialmente regressivos da atual estrutura tributária e beneficiem a produção e as exportações", afirma o texto.
"Para estimular e favorecer o empreendedorismo, serão definidas políticas especiais tributárias, de crédito", acrescenta o programa.
Depois de a candidata do Partido Verde à Presidência, Marina Silva, conseguir quase 20 milhões de votos no primeiro turno, o programa de Dilma se preocupa em mostrar compromisso com o chamado desenvolvimento sustentável.
"A política ambiental cuidará para que o Brasil desempenhe papel exemplar na construção de um modelo de desenvolvimento ao mesmo tempo sustentável e includente", diz o programa em seu quarto ponto.
O texto diz ainda que "a política industrial levará em conta critérios ambientais, da mesma forma que as políticas fiscais e de crédito", mas não deixa claro quais seriam esses critérios. E reforça o compromisso com "as metas apresentadas voluntariamente em Copenhague", na cúpula sobre o clima em dezembro do ano passado.

DEMOCRACIA E IMPRENSA
O programa de 13 pontos traz ainda uma promessa aos que temem um retrocesso democrático ou na liberdade de imprensa, assim como às religiões, depois que temas como o aborto tiveram destaque na campanha, especialmente no segundo turno.
"O fortalecimento da democracia política, logrado nos últimos anos, será mantido e consolidado pela continuidade da reforma do Estado; pela preservação da autonomia dos poderes constituídos; pela garantia irrestrita da liberdade de imprensa e de expressão e da liberdade religiosa."
E se compromete com uma reforma política. Mas, como de resto, sem nenhum detalhe, deixando sua definição para "um amplo diálogo com a sociedade e suas organizações, por meio do Congresso Nacional".
A reforma política, acrescenta o texto, "terá como objetivo dar maior consistência à representação popular e aos partidos, eliminando as distorções que ainda cercam os processos eleitorais".

BALANÇO
A introdução do programa de 13 pontos traz um balanço das realizações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando o papel de Dilma nele, e comparações com seus antecessor, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB de José Serra, adversário da petista no segundo turno.
"O governo do presidente Lula conseguiu, pela primeira vez em nossa história, articular crescimento da economia com forte distribuição de renda, inclusão e ascensão social", praticamente parafraseando o bordão do presidente "nunca antes na história deste país".
O texto cita os programas de Aceleração do Crescimento (PAC) e Minha Casa, Minha Vida e políticas sociais como o Bolsa Família e Luz Para Todos, argumentando que isso criou um "gigantesco" mercado de bens de consumo que ajudou a garantir a "expansão sustentada de nossa economia", dando condições de o país suportar a crise global de 2008.
E para não passar batido pelos partidos da coligação --formada por dez legendas, incluindo o PT de Dilma e o PMDB do candidato a vice, Michel Temer--, o texto diz que os aliados querem "com todos os homens e as mulheres de nosso país, continuar e aprofundar a mudança do Brasil, que se iniciou em 2003".

A seis dias da eleição, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, apresentou nesta segunda-feira "13 compromissos programáticos" de governo, que chamou de "base da governabilidade".
Dilma minimizou o fato de isso ter ocorrido tão perto da eleição por considerar que suas propostas foram apresentadas "exaustivamente" em todos os programas de tevê do partido.
"Estamos formalizando para o futuro, se Deus quiser e eu for eleita, ele é a base da governabilidade", disse. Segundo a candidata petista, os compromissos têm um sentido de "diretriz". "Obviamente eles são gerais, não são metas", afirmou.
"Eles refletem um esforço da nossa coligação, de deixar claras as nossas diretrizes", disse Dilma a jornalistas no anúncio do plano, chamado "Os 13 Compromissos Programáticos De Dilma Rousseff para o Debate na Sociedade Brasileira".
"Eu chamo esses 13 compromissos da construção da nossa governabilidade, porque eles refletem uma força política desses 11 partidos, que se expressa em mais de 50 senadores e mais de 350 deputados", disse Dilma.
Antes desta versão, a campanha de Dilma registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em julho um programa que previa controle social da mídia, taxação de grandes fortunas e redução da jornada de trabalho. O texto foi substituído no mesmo dia por outro, sem estes itens, e tratado como provisório pela coordenação. A proposta foi enviada ao TSE para cumprir uma exigência da Justiça Eleitoral.

Veja os 13 compromissos de Dilma.
1. Expandir e fortalecer a democracia política, econômica e social
2. Crescer mais, com expansão do emprego e da renda, equilíbrio macroeconômico, sem vulnerabilidade externa e desigualdades regionais.
3. Dar seguimento a um Projeto Nacional de Desenvolvimento que assegure grande e sustentável transformação produtiva do Brasil.
4. Defender o meio ambiente e garantir um desenvolvimento sustentável.
5. Erradicar a pobreza absoluta e prosseguir reduzindo as desigualdades. Promover a igualdade, com garantia de futuro para os setores discriminados na sociedade.
6. Governo Dilma será de todos os brasileiros e brasileiras e dará atenção especial aos trabalhadores.
7. Garantir educação para a igualdade social, cidadania e desenvolvimento.
8. Transformar o Brasil em potência científica e tecnológica.
9. Universalizar a saúde e garantir a qualidade do atendimento do SUS.
10. Prover as cidades de habitação, saneamento, transporte e vida digna e segura para os brasileiros.
11. Valorizar a cultura nacional, dialogar com outras culturas, democratizar os bens culturais e favorecer a democratização da comunicação.
12. Garantir a segurança dos cidadãos e combater o crime organizado.
13. Defender a soberania nacional. Por uma presença ativa e altiva do Brasil no mundo.

Sem ainda ter apresentado formalmente um plano de governo, o candidato à Presidência pelo PSDB, José Serra, chamou de "jogada eleitoral" as propostas divulgadas pela adversária Dilma Rousseff (PT) nesta segunda-feira.
"O caso deles é só uma jogada eleitoral. Não tem nenhum significado, até porque eles pensam "x" e menos um sobre "x" sobre cada coisa, segundo a conveniência do momento", disse Serra a jornalistas após reunião com representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
"O nosso plano está praticamente na Internet. Não é um instrumento eleitoral. É um reflexo daquilo que nós vamos fazer mesmo", completou.
Dilma apresentou nesta tarde, a seis dias da eleição, 13 compromissos programáticos de governo, que chamou de "base de governabilidade". São propostas genéricas para as áreas de economia, de meio ambiente, saúde, redução da pobreza, educação, segurança e saúde. O texto foi apresentando após reunião da candidata com representantes dos partidos de sua coligação.
Serra disse que não acredita ser importante oficializar suas propostas. "Oficializar não, até porque, no caso, eles não oficializaram coisa nenhuma", reagiu.
O candidato voltou a condenar o nível da campanha eleitoral. "Em matéria de baixaria por parte do adversário sem dúvida esta é a pior (campanha). Nunca um adversário se aparelhou tanto. Nunca um adversário jogou tão baixo quanto nesta campanha no caso do PT", afirmou. "Estamos numa luta de David contra Golias e nós somos o David."
Na reunião com a SBPC, Serra recebeu um documento com propostas para as áreas de ciência, tecnologia e educação, entre elas consta um pedido para aumentar o orçamento para ciência e tecnologia para 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje esse investimento está no patamar de 1 por cento. O mesmo documento foi entregue a Dilma há duas semanas.


Reuters












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