quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O que rolou hoje na Campanha Eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou nesta quinta-feira o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, de mentir por conta do que considerou uma simulação de agressão que teria sido feita por ele durante confronto entre militantes do PT e tucanos na véspera.
"A mentira que foi produzida ontem pelo esquema publicitário do José Serra é uma coisa vergonhosa. Passaram o dia inteiro vendendo que esse homem tinha sido agredido", disse Lula a jornalistas, após a inauguração do dique seco do Polo Naval de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.
Lula contou que após saber do incidente entre militantes das duas legendas durante evento de Serra na zona oeste do Rio de Janeiro, chegou a pensar em entrar em contato com dirigentes do PT para que se solidarizassem com o tucano, mas mudou de opinião após ver imagens feitas pelo SBT.
A reportagem da emissora sobre o tumulto mostra o tucano sendo atingido na cabeça pelo que parece ser uma bolinha de papel. De acordo com a reportagem, cerca de 20 minutos depois de ser atingido, Serra recebe um telefonema e leva a mão à cabeça.
Segundo a assessoria de imprensa da campanha de Serra, o candidato do PSDB foi atingido por um "pesado objeto", sentiu-se mal e cancelou o restante dos eventos de campanha no Rio. O tucano foi levado para uma clínica onde fez exames e recebeu recomendação médica de repouso por 24 horas.
"Nenhum candidato, novo ou velho, tem o direito de mentir de forma descarada como o PSDB fez ontem, achando que atrás da tela tem um bando de pessoas que não entendem nada", atacou Lula.
O presidente comparou o episódio com o do ex-goleiro da seleção do Chile Roberto Rojas, que durante uma partida contra o Brasil em 1989 no Maracanã, válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo do ano seguinte, fez um corte proposital no supercílio quando um foguete foi lançado por uma torcedora no gramado.
O jogo foi suspenso e, depois que a farsa foi descoberta o Chile, que precisava da vitória para se classificar para o Mundial, foi declarado derrotado e foi suspenso dos Mundiais de 1990 e 1994. Rojas foi banido do futebol e anistiado anos depois.

O programa de TV do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, mostrou na tarde desta quinta-feira imagens do episódio em que o tucano foi atingido por um objeto em meio a tumulto entre militantes do PT e do PSDB no Rio de Janeiro na véspera.
As imagens veiculadas, no entanto, não captam o momento exato em que Serra é atingido.
"Os brasileiros lutaram muito para reconquistar a democracia, um regime que é da liberdade e da democracia. Por isso, é inaceitável o que aconteceu nesta quarta-feira no Rio", afirma uma apresentadora do programa de Serra, que informa que o tucano teve de interromper sua campanha no Rio após receber atendimento médico.
A propaganda tucana aproveitou o episódio para lembrar de uma agressão sofrida pelo ex-governador Mario Covas, morto em 2000, quando militantes lhe agrediram na cabeça em Diadema (SP), descrito pelo programa como "um dos berços do PT".
"Eu fui cassado para garantir o direito de vocês falarem, não o direito de me dar paulada na cabeça", afirma Covas, deputado federal cassado pelo regime militar (1964-1985), em imagens de arquivo.
Serra então aparece em depoimento já utilizado anteriormente em que afirma que a atual disputa eleitoral "pode ser a eleição da honestidade, da valorização de quem nunca esteve metido em escândalos".
A campanha de Serra tomou cerca de um minuto do tempo destinado à campanha da adversária Dilma Rousseff (PT) com direito de resposta concedido pela Justiça eleitoral sobre o tema da privatização.
Serra "não teve nada a ver" com a privatização da CSN, informa uma locutora, vendida durante o governo do ex-presidente Itamar Franco, quando o tucano era deputado. Também classifica de "mentira" a afirmação de que Serra e os governos do PSDB em São Paulo privatizaram 31 empresas.
O programa de Dilma repetiu a propaganda já veiculada, na qual mostrou apoio de artistas e intelectuais à sua candidatura, como o cantor e compositor Chico Buarque, o cartunista Ziraldo e o escritor Fernando Morais.



Reuters



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