segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PT inicia abordagem a Marina e tucanos contam com apoio do PV

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, já teve uma primeira conversa com a candidata do PV, Marina Silva, em busca de apoio para Dilma Rousseff no segundo turno da eleição presidencial contra José Serra (PSDB).
Com os quase 20 milhões de votos obtidos domingo, a candidata verde se tornou o principal prêmio a ser conquistado no início dessa nova fase. Segundo uma fonte da campanha petista, Marina alegou que estava praticamente sem voz e os dois ficaram de ter uma conversa pessoalmente mais adiante.
Alguns integrantes do grupo dilmista defendem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja um dos interlocutores junto a Marina, aproveitando a longa relação política entre os dois.
Emissários do PV, no entanto, já fizeram chegar ao núcleo da campanha de Dilma a percepção de que Marina deve optar pela neutralidade.
Enquanto isso, tucanos esperam criar um fato novo com a oficialização do apoio do PV a Serra, ainda que Marina se mantenha neutra.
Nos bastidores, em análises das urnas, o PSDB concluiu que "60 por cento dos votos dela" irão para o tucano. Serra deve fazer um grande evento ainda esta semana para reunir os vitoriosos regionais e demonstrar força.
Dilma preferiu fazer isso já nesta segunda-feira, ao encontrar-se com seus governadores e parlamentares eleitos.

"NÓS CONTRA ELES"

Do lado oposicionista, há duas metas principais nos próximos dias: chegar ao empate técnico nas pesquisas de intenção de voto o mais rápido possível e reforçar os votos em Estados de peso, como São Paulo (onde Serra teve 40,7 por cento dos votos válidos contra 37,3 por cento de Dilma), Minas Gerais (30,8 por cento a 46,9 por cento de Dilma) e Paraná (43,9 por cento do tucano a 38,9 por cento).
A ordem já foi dada: nenhuma estrutura de campanha de quem já venceu disputas locais será desmobilizada. O empenho é visto através do caixa: estima-se gastar, em quatro semanas, o mesmo tanto despendido em quatro meses.
"Queremos comparar o Brasil dos benefícios contra o Brasil dos méritos", resumiu um tucano do núcleo duro da campanha.
O PSDB também irá pressionar por debates, mesmo sem enxergar alguns deles como cruciais, e tentará colar na concorrente o rótulo de "fantoche", como já prenunciou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Já o PT vai querer economizar nos confrontos de TV, mas Dilma deve ir aos debates da Band e da Globo e provavelmente mais um, Record ou RedeTV.
O baque domingo foi grande entre os petistas pela surpresa em ver a candidata menor do que as pesquisas internas e públicas apontavam e haverá mexidas. Duas táticas permanecem: associar Serra ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e se aproximar mais do eleitorado C, D e E.
"Agora não dá para fugir do 'nós contra eles'. A matriz da disputa está posta: continuidade versus oposição", disse uma fonte da campanha petista de madrugada, poucas horas após o resultado.
A campanha de Dilma subestimou o poder de crescimento da candidata do PV. A esse "fator Marina" somou-se o movimento de igrejas contra a candidata petista, por seu posicionamento considerado dúbio sobre o aborto.
As sondagens qualitativas ainda estão sendo depuradas, mas já se sabe entre os petistas que será preciso "desativar a bomba do voto religioso", que parece ter, em grande parte, abandonado Dilma no meio do caminho.
Mas as análises pós-urnas mostram também que a "desidratação" de votos de Dilma começou mesmo com o escândalo que levou à demissão de Erenice Guerra, ex-auxiliar da candidata, da Casa Civil.



Reuters

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