sábado, 30 de outubro de 2010

Ultimo dia dos Candidatos a Presidente



O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou que não existe governo "terceirizado", após carreata em Belo Horizonte, em um claro recado à adversária Dilma Rousseff, que também fez campanha na capital mineira na véspera da eleição.
"Ninguém governa no lugar de ninguém. Não existe governo terceirizado", disse o tucano, pouco depois de a petista ter declarado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma grande importância em seu eventual governo.
Mesmo aparentando cansaço, o candidato tentou mostrar ânimo na carreata que o partido organizou na capital mineira. Serra foi acompanhado pelo ex-governador e senador eleito, Aécio Neves (PSDB), entre outras lideranças mineiras.
O partido conseguiu mobilizar, segundo organizadores, cerca de 3 mil pessoas que seguiram da Praça do Papa, no bairro Mangabeiras, até a Savassi, dois setores nobres da capital.
Apesar da calorosa acolhida dos militantes, havia um certo clima de resignação. "Não podemos desistir. Sabemos que é difícil, mas temos que acreditar que ainda é possível virar", disse o funcionário público Antônio Resende, 34 anos.
Na entrevista que deu depois da carreata no Palácio das Mangabeiras, residência oficial, Serra falou em linha com declarações de Dilma, que fez campanha do outro lado da cidade, na Pampulha. A líder das pesquisas disse que, se eleita, fará um governo sem discriminação de partidos.
Serra afirmou que, caso vença a eleição no domingo, não vai governar com ódio ou vingança. E não deixou de alfinetar a adversária ao voltar a criticar o uso da máquina pública a favor de Dilma.
No fim da carreata, os tucanos exibiram um vídeo em praça pública do ex-petista e advogado Hélio Bicudo, intitulado "Manifesto em Defesa da Democracia". No vídeo, ele critica "o uso da máquina em favor de um partido", "compadrio e fisiologismo" e "autoritarismo hipócrita do presidente da República". A mesma mensagem foi exibida em evento de campanha no domingo em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Um dos coordenadores da campanha tucana em Minas, Danilo de Castro, que é ex-secretário de governo de Aécio Neves, disse que a coligação liderada pelos tucanos sabe que a Dilma é grande favorita nas pesquisas, mas não descarta uma virada na última hora.
"Se a Dilma vencer, vai ser uma diferença muito pequena", disse.
No primeiro turno, nenhum dos dois candidatos venceu na capital mineira, a liderança ficou com Marina Silva(PV). No Estado, Dilma obteve a maioria dos votos.

BERÇO DE LULA E PT

Serra encerrou a campanha em Suzano, Grande São Paulo (SP), onde defendeu que é chegada a hora de alternância de poder, repetindo argumentado apresentado na madrugada de sábado, após o último debate na TV com Dilma.
"É uma boa hora para haver troca de equipe, para haver alternância de poder, essa é a beleza da democracia", disse a jornalistas em Suzano, onde fez uma caminhada. "Você tem aí uma equipe cansada, consumida pelos vícios, pelo tempo prolongado."
Pouco antes, o tucano participou de uma carreata em São Bernardo do Campo, berço político do presidente Lula e do PT.
"São Bernardo do Campo é um lugar significativo, importante, o berço da nova industrialização de São Paulo e do Brasil, a cidade com a qual eu tenho muito vínculo", justificou a jornalistas, após participar de uma carreata que passou a poucas centenas de metros da sede do Sindicato dos Metalúrgicos e da residência de Lula.

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que escolheu Belo Horizonte para encerrar sua campanha neste sábado, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará "sempre presente", caso ela seja eleita.
"Não há ninguém nesse país que vai me separar do presidente Lula", afirmou, em tom emocionado, sob um calor de 30 graus na orla da Lagoa da Pampulha, um dos principais cartões postais da capital mineira. "Lula estará sempre presente no meu governo", disse.
A petista, no entanto, deixou claro que "obviamente, não será uma pessoa dentro de um ministério". "Mas, para mim, que tenho uma relação muito forte com o presidente Lula, ele será sempre uma pessoa de quem tenho plena confiança política e pessoal", afirmou.
Dilma Rousseff chegou com mais de duas horas de atraso a Belo Horizonte para o último compromisso oficial antes do segundo turno. A candidata petista estava bem disposta e fez um balanço da campanha antes de seguir em carreata com os militantes pela zona norte da capital mineira.
"Foi uma campanha muitas vezes dura, com calúnias diversas, mas eu quero dizer que não guardo mágoas...", afirmou.
Num tom de jogo praticamente ganho, Dilma disse que pretende, caso seja eleita, unir o Brasil em torno de um grande projeto de desenvolvimento. Ela prometeu governar para todos os brasileiros, sem exceção.
"Não haverá discriminação de partidos. Não vou governar apenas para minha coligação. Faço questão de me relacionar bem com governadores e prefeitos, fazendo um governo republicano e transparente."
A candidata se disse emocionada por encerrar a campanha na sua terra natal, onde sua história política começou. "Foi aqui que tudo começou, e é mais do que simbólico eu fechar a campanha nessa cidade que foi tão importante na minha vida."
Segundo o secretário nacional de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), além de ser o Estado natal da petista, o número de eleitores também pesou na escolha, já que Minas, São Paulo e Rio de Janeiro concentram 41,5 por cento do eleitorado do país.
O seu adversário tucano, José Serra, também escolheu a capital mineira como destino um dia antes da eleição. Nenhum dos dois levou a maioria do votos dos eleitores de Belo Horizonte no primeiro turno. Marina Silva (PV) venceu na capital e no Estado Dilma liderou.
No final da entrevista, ela foi surpreendida por uma eleitora de 84 anos que fez questão de cumprimentá-la. Dona Gumercinda Queiroga, 84 anos, moradora do bairro Nova Cintra, disse que votava em Dilma porque ela era mineira e do partido do presidente Lula.
"Foi no governo do presidente Lula que meu filhos tiveram condição de estudar, o que eu não tive. Hoje, tenho dois apartamentos e vivemos com dignidade", disse Gumercinda, que prometeu votar bem cedo no domingo.
Do outro lado da cidade, o candidato José Serra, tentava manter o ânimo junto com correligionários do PSDB, como o ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB) e o governador eleito, Antonio Anastasia (PSDB).
Institutos locais, segundo a mídia mineira, indicam liderança folgada de Dilma.



Reuters




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