sábado, 13 de novembro de 2010

Ativista de Mianmar vencedora de Nobel da Paz é libertada


A ativista de movimentos pró-democracia em Mianmar Aung San Suu Kyi foi libertada neste sábado, após autoridades do país terem retirado policiais e barricadas de sua residência, permitindo que ela saudasse os seus correligionários após sete anos de prisão domiciliar.
Dos últimos 21 anos, a vencedora do Prêmio Nobel da Paz passou os últimos 15 presa.
"Este é um tempo de calma e um tempo de diálogo. As pessoas devem trabalhar em harmonia. Só assim poderemos chegar ao nosso objetivo", afirmou Suu Kyi a uma multidão.
A última vez que a militante foi detida se deu em agosto, quando um tribunal interpretou que ela havia infringido uma lei que protege o Estado contra "elementos subversivos", ao permitir que um americano que invadiu a sua residência pudesse permanecer no local por duas noites.
Cerca de mil pessoas, entre elas muitos jornalistas, se aglomeraram do lado de fora de sua casa, situada em frente a um lago, ao longo do dia.
Muitos deles gritavam "Libertem Aung San Suu Kyi" e "Vida Longa a Aung San Suu Kyi".
Alguns usavam camisetas estampadas com mensagens de apoio à ativista.
Assim que os presentes se converteram em uma multidão, cerca de 30 policiais da divisão antimotim armados e portando bombas de gás lacrimogênio exigiram que os correligionários de Suu Kyi ficassem atrás das barricadas montadas do lado de fora da residência.
A detenção de Suu Kyi se deu devido à sua oposição aos 48 anos de regime militar no país antes conhecido como Birmânia.
As eleições realizadas em Mianmar no último dia 7 de novembro foram vencidas por um partido apoiado pelo Exército.
Os líderes militares do país poderão obter um certo grau de legitimidade internacional ao libertar Suu Kyi, filha do herói da campanha de independência de Mianmar da Grã-Bretanha.
Tal medida seria o primeiro passo para uma revisão das sanções por parte de nações ocidentais contra o país.
Mianmar é uma nação rica em recursos naturais e é o maior país do sudeste asiático continental.
O regime de Mianmar é considerado por grupos de direitos humanos como um dos mais corruptos e opressivos do mundo.
"O governo precisa criar algum espaço para respirar urgentemente", disse um acadêmico birmanês aposentado, que pediu para não ser identificado.
Acredita-se que Suu Kyi ainda exerça a mesma influência hipnótica sobre a população como a que exerceu em 1990, quando seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, venceu as últimas eleições de modo arrasador --resultado que foi ignorado pelos governantes militares.
A ativista atraiu uma multidão aos portões de sua residência em Yangon. Com algumas poucas palavras, ela poderia retirar qualquer fiapo de credibilidade conferido à mais recente eleição, pedindo a anulação do pleito, sob o argumento de que ele foi fraudado.




Reuters

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