sábado, 11 de dezembro de 2010

Acordo climático ganha amplo apoio, mas Bolívia se opõe


Os Estados Unidos, a China, o Brasil e dezenas de outros países apoiaram nesta sexta-feira um plano para diminuir o aquecimento global durante as reuniões da COP-16, e apenas a Bolívia condenou um acordo que precisa do apoio de todos para ter sucesso.
Perto do final de duas semanas de conversas envolvendo quase 200 países, muitos ministros do Meio Ambiente elogiaram uma proposta do México para quebrar um impasse entre as nações ricas e as pobres sobre corte nas emissões da gases causadores do efeito estufa pelos países desenvolvidos, previsto no Protocolo de Kyoto.
O acordo proposto não inclui um compromisso para estender o protocolo além de 2012, quando ele vai expirar, mas evita o fracasso das negociações sobre mudanças climáticas e proporciona alguns pequenos avanços na proteção ao meio ambiente.
Elas incluem o estabelecimento de um novo "Fundo Verde para o Clima" para ajudar os países menos desenvolvidos do mundo, pagamentos para a proteção de florestas tropicais e outro acordo para o compartilhamento de tecnologias de baixa emissão de carbono.
"O que temos agora é um texto que não é perfeito mas é certamente uma boa base para avançarmos," afirmou o enviado de clima dos Estados Unidos, Todd Stern.
Xie Zhenhua, chefe da delegação chinesa em Cancún, afirmou que Pequim apoiava a proposta: "Embora ainda haja algumas falhas, expressamos nossa satisfação com o acordo."
A China e os Estados Unidos são os dois maiores emissores de gases causadores do efeito estufa. Outros países que emitem larga escala de poluentes são os da União Europeia, a Índia, o Japão e muitas nações desenvolvidas, sendo que todos apoiaram a proposta que definitivamente encerraria uma disputa entre países ricos e pobres sobre o futuro do Protocolo de Kyoto, no próximo ano.
Mas a Bolívia classificou o pacote como inadequado e pode arruinar as negociações se continuar com essa postura, porque qualquer acordo em negociações lideradas pela ONU (Organização das Nações Unidas) precisa de unanimidade para ir em frente.
"A Bolívia não está preparada para assinar um documento que significa um aumento da temperatura média, que colocará mais pessoas perto da morte," afirmou o delegado do país, Pablo Solon.
A Bolívia tem as exigências mais severas de todas as nações em Cancún. A nação vizinha do Brasil pede para que os países ricos reduzam pela metade as emissões até 2017, em relação aos níveis de 1990. O presidente do país, Evo Morales, disse no encontro, no começo desta semana, que as políticas de clima das nações desenvolvidas estavam causando "genocídio."
Seu governo de esquerda agora deve ficar sob forte pressão para concordar com a proposta mexicana.
Os negociadores esperam que, ao encerrar a crise sobre o Protocolo de Kyoto e acertar outras medidas para limitar o impacto das mudanças climáticas, estarão contribuindo para reduzir as chances de enchentes, secas, ondas de calor e aumento no nível dos oceanos.
As conversas tinham entrado em um impasse depois que Japão, Rússia e Canadá disseram não querer uma extensão no Protocolo de Kyoto, que obriga cerca de 40 países desenvolvidos a cortar suas emissões de gases causadores do efeito estufa e só vale até 2012.
Os países em desenvolvimento alegavam que as nações ricas tinham maior responsabilidade no combate ao aquecimento global e, portanto, deveriam estender o Protocolo de Kyoto sem forçar outros países com metas de emissões de gases, que limitariam a habilidade deles em estimular o crescimento econômico e diminuir a pobreza. Assim, as nações em desenvolvimento deveriam apenas diminuir o aumento de suas emissões, em vez de cortá-las.
Os EUA nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto. O ex-presidente George W. Bush afirmava que o projeto custaria empregos e reclamou de que a proposta tratava a China e outros países em desenvolvimento de forma muito leniente.
As negociações de Cancún têm o objetivo de reconstruir a confiança entre países ricos e pobres, depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes terem falhado, no ano passado, na tentativa de chegar a um acordo em Copenhague.
As nações que apoiavam o acordo ganhavam aplausos, enquanto o boliviano Solon viu uma reação de silêncio ao criticar o projeto. A Venezuela e a Nicarágua, ambas socialistas e aliadas da Bolívia, pediram maiores análises sobre as objeções do país sul-americano.



Reuters

Nenhum comentário:

Postar um comentário