terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Acordo sobre Protocolo de Kyoto pode destravar reunião de Cancún


A solução da disputa entre países ricos e pobres a respeito dos cortes de emissões de poluentes é crucial para destravar o processo de negociação climática na conferência da ONU em Cancún, disse uma autoridade na terça-feira.
Novos textos-base da conferência, que vai de 29 de novembro a 10 de dezembro, oferecem soluções bastante díspares para o impasse que opõe Japão, Canadá e Rússia a países em desenvolvimento, que os acusam de violar promessas sobre futuros cortes nas emissões previstos no Protocolo de Kyoto.
O controle das emissões é "a maior questão que precisa ser resolvida de alguma forma", disse à Reuters John Ashe, presidente da seção da conferência que discute o futuro do Protocolo de Kyoto.
Essas questões, segundo ele, "não são independentes uma das outras", e um acordo sobre o Protocolo de Kyoto pode levar à aprovação de um pacote mais amplo de medidas com caráter mais pontual.
Além de discutir o futuro do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, a conferência de Cancún se destina a aprovar a criação de um novo fundo que ajude os países em desenvolvimento a mitigarem e se adaptarem à mudança climática.
O Protocolo de Kyoto exige que cerca de 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, e poupa os países em desenvolvimento de medidas obrigatórias. Japão, Rússia e Canadá dizem que não aceitarão renovar seus compromissos após 2012 se os países emergentes, como China e Índia, não forem também obrigados a reduzirem suas emissões.
Já as nações em desenvolvimento alegam que os países ricos foram os que mais se beneficiaram economicamente com as emissões de gases do efeito estufa desde a Revolução Industrial.
Ashe disse que uma das opções, mencionada em negociações anteriores, seria simplesmente prorrogar Kyoto com as metas atuais de reduções. "O atual período de compromisso poderia ser prorrogado enquanto resolvemos a questão do nível de ambição", disse ele.
Tal opção ainda não foi discutida na conferência do México, que entrou agora na sua fase decisiva, com a presença de ministros do Meio Ambiente.
Um dos textos em discussão propõe que as nações emergentes responsáveis por mais de 0,5 ou 1 por cento das emissões globais, como é o caso de China e Índia, precisem apresentar informes bienais sobre suas emissões. Atualmente, só os países ricos precisam apresentar tais informes, anualmente.
As divergências entre países ricos e pobres marcam a conferência de Cancún, a exemplo do que já aconteceu no ano passado no evento de Copenhague, que por causa disso terminou sem a aprovação de um novo tratado que seja de cumprimento obrigatório para todos.



O Globo

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