sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Adeus

Poesia de Maíra Sampaio Silva
Minha filha
Publicada no livro VI Antologia NAU Literária em 2004

Adeus

Adeus. Assim pequeno
assim, leve... rápido
frágil - assim essa voz, esse canto.
Adeus!
Num suspiro, sussurro, sai entre os lábios
Ah... esses lábios, nunca meus, minha boca
pertenceu um dia.
Adeus. Adeus! Adeus!
Que noite. E essa voz tão em mim!
essa voz que meus ouvidos amam!
esses lábios de que minha boca se enamora.
Ah... essa música nunca falada, esse canto
não esquecido...
Adeus - assim no olhar
assim em prosa, em canto
assim desse jeito
sem jeito.
Adeus é assim sem mistério,
não faz de conta
não é etéreo.
Adeus é assim!
Essa voz foi frágil, suave,
mas o adeus é assim,
seco, duro. Malvado!
Olho, não sei! Parece-me longa a estrada.
E teus atos in-certos.
Adeptos. Corretos! Corretos?
Se ao mnos des-cre-vessem meu ódio.
Perdemos o paraiso num caso trágico
das tramas dos senhores.
In-dis-persa. É minha vez de gritar: A-cor-demos.
Demos! Demos!Demos esmolas, fizemos acordos
vendemos nossa men-te.
Revolução! Lutar?
Um grito!
Malditos Senhores do mundo. Diante dos algozes.
Em punho minha arma. Diante dos fuzileiros
grito o meu canto.
Teus atos un-certos.
Tua vida... incompreensão!
Revolução... Acordamos?
Olho nos olhos e
meu algoz é sangue... tristeza
um rio que se finda
estúpida pólvora que me abre,
mostra meu peito... vê minha men-te...
escuta meu lamento.
Não fiz pacto com senhores do mundo...
Acordamos... choros... lutas ... meu medo.
Acordamos!?

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