terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brasil reduz desnutrição infantil e atinge meta da ONU


O Brasil reduziu a desnutrição infantil e atingiu a meta fixada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no pacote de objetivos do milênio. Para o Ministério da Saúde, que nesta terça-feira divulgou o relatório Saúde Brasil 2009, o problema está superado no país. Em 1974, 18,4% das crianças com menos de cinco anos tinham déficit de peso, percentual que caiu para 1,8%. 
Também houve queda no déficit de altura, que passou de 22% para 6,7% no período. Nas reuniões mais vulneráveis, as internações por desnutrição reduziram à metade entre 2003 e o ano passado.
Pelas projeções do governo, o país deve alcançar a meta para as taxas de mortalidade infantil e da infância em 2012, três anos antes do prazo fixado pela ONU. Entre 1990 e 2008, a mortalidade infantil estava em 47,1 por mil nascidos vivos em 1990, passando a 19 em 2008. A intenção é chegar a 15,7.
O estudo mostra ainda que as mulheres vêm tendo menos filhos, especialmente as adolescentes. De 2000 a 2008, a quantidade de partos caiu 10%, de 3,2 milhões para 2,9 milhões. Nada menos que 93% dessa variação se concentrou entre as mães com 15 a 24 anos.
- Isso se refere a uma série de medidas de acesso à informação, acesso a métodos anticoncepcionais, apesar da resistência de setores conservadores ainda existentes na sociedade brasileira - afirmou o ministro José Gomes Temporão.
Contudo, um quinto dos partos ainda ocorre entre mulheres de 15 a 19 anos e 29% de 20 a 24, o que, para o ministério, é alto.
A despeito das políticas públicas, aumentou a proporção de cesarianas. Elas representavam 38% dos partos em 2000 e, em 2007, 47%. Os bebês nascidos assim têm mais baixo peso. Temporão explica que as causas do aumento serão investigadas. O crescimento tem se concentrado, segundo o ministério, nos serviços privados de saúde.
O levantamento também mostrou que os homens jovens são as principais vítimas de violência. As mortes por doenças crônicas, como neoplasias, diabetes e males cardiovasculares, caíram 17% entre 1996 e 2007.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta terça-feira que deixará para o Governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, um plano para combater o que qualificou de "epidemia de obesidade" no país.
Segundo dados oficiais, 17% dos brasileiros maiores de 20 anos são obesos e a taxa já atinge 12% das crianças entre cinco e nove anos.
"O assunto deverá ser debatido com a maior seriedade pelo próximo Governo", indicou Temporão em relação à Dilma, que assumirá a Presidência no dia 1º de janeiro substituindo Luiz Inácio Lula da Silva.
Na opinião do ministro, o aumento da taxa de obesidade supõe que o país "está sentado em cima de uma bomba-relógio que vai a explodir dentro de 20 anos".
Segundo o Ministério da Saúde, o aumento do número de obesos, que quase duplicou nas últimas duas décadas, obedece a alterações dos hábitos de alimentação e à progressiva substituição de alimentos naturais por produtos industrializados que contêm altas taxas de calorias.
Outro agravante, segundo as autoridades, está na falta de exercícios físicos.
De acordo com os dados oficiais, só 10,2% dos brasileiros mantém uma atividade física regular.



O Globo

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