terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Desenvolvimento da educação não acompanha salto econômico


Os resultados dos estudantes brasileiros no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) mostram que o desenvolvimento de estratégias para garantir qualidade de ensino não acompanhou o salto econômico dado pelo País nos últimos anos. Na avaliação educacional criada pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o desempenho do Brasil melhorou. Mas ainda está longe da média dos países desenvolvidos.
Nas três áreas analisadas – leitura, matemática e ciências –, os estudantes brasileiros obtiveram notas 412, 386 e 405, respectivamente. A média geral ficou em 401 pontos, enquanto a dos países desenvolvidos é 496. Apesar da distância, os brasileiros estão entre os que mais aumentaram as próprias médias na última década. Foram 33 pontos entre 2000 e 2009. No entanto, para os especialistas, o ritmo de crescimento é lento. E, se continuar assim, não será possível atingir as metas do País para os próximos anos.
Até 2021, o Ministério da Educação espera que os estudantes brasileiros consigam obter 473 pontos de média nas três avaliações do Pisa. Isso significa subir 72 pontos em 11 anos. “Não podemos deixar de reconhecer o esforço feito pelo País. Por outro lado, para atingir a próxima meta, teremos de fazer mais do que o dobro feito na última década”, analisa o integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Mozart Neves Ramos. “Se continuarmos nessa velocidade, não conseguiremos."
Com o salto econômico dado pelo Brasil, os especialistas acreditam que a educação poderia ter sido mais privilegiada. Em consequência, os resultados seriam melhores. “O investimento em educação ainda é baixo”, critica Mozart. Luiz Araújo, consultor da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), compara os resultados brasileiros aos de outros países em desenvolvimento.
“É verdade que melhoramos, mas ainda continuamos muito atrás. Há um descompasso entre o desenvolvimento econômico do País e as notas no Pisa. Somos o pior colocado entre os Brics. A China aparece em primeiro lugar e a Rússia em 40º”, analisa. Para ele, o Brasil não aproveita o próprio potencial. Ele lembra que a rede federal obteve os melhores resultados do País, superando a média dos países desenvolvidos. “Mas, nessas escolas, o custo por aluno é muito maior do nas redes estaduais e municipais. Há uma desigualdade de investimento a ser vencida e não só social”, pondera.
O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni lembra que o desempenho dos estudantes das redes federal e privada levantam os resultados brasileiros. “Não há novidades nos dados. Sabemos que o País melhorou e quem está melhor preparado. Se dependesse da nota da rede estadual, teríamos sido os últimos do ranking. Se considerassem só as federais, estaríamos no topo”, afirma.




Ultimo Segundo

Nenhum comentário:

Postar um comentário