terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fed mantém juro e diz que retomada está muito lenta


O Federal Reserve disse nesta terça-feira que a recuperação econômica ainda está muito lenta para reduzir a taxa de desemprego, reafirmando seu compromisso de comprar 600 bilhões de dólares em títulos para estimular o crescimento da economia e a geração de empregos.
O banco central norte-americano também manteve a taxa básica de juros entre zero e 0,25 por cento.
Em comunicado que pouco reconheceu recente melhora nos dados macroeconômicos e focou no desemprego elevado, o Fed caracterizou a expansão dos Estados Unidos como "em continuação", uma modesta melhora ante sua descrição de novembro, quando classificou a retomada como "lenta".
Embora a reunião provavelmente tenha envolvido certa reavaliação das perspectivas econômicas para explicar os efeitos das propostas de novos cortes tributários, o Fed observou que as medidas de inflação continuam apontando para baixo desde o último encontro.
"A recuperação econômica segue, embora a um ritmo que tem sido insuficiente para reduzir o desemprego", disse o Fed em um comunicado no final de sua reunião de política monetária, que durou um dia.
O presidente do Fed de Kansas City, Thomas Hoenig, novamente discordou da decisão.
No início do mês passado, o BC dos EUA lançou um polêmico programa de compra de 600 bilhões de dólares em títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano até o próximo ano, numa tentativa de dar suporte à fraca recuperação econômica, que não tem conseguido gerar empregos.
A iniciativa foi alvo de críticas por analistas, que temem que o programa possa estimular a inflação ou provocar uma rodada de desvalorização de outras moedas, reduzindo a competitividade destas.
Desde que o banco central lançou o programa, os dados macroeconômicos conhecidos se mostraram bastante positivos. As fortes vendas no varejo norte-americano em novembro, divulgadas nesta terça-feira, são mais uma evidência de que a recuperação está ganhando ritmo.
Além disso, um acordo entre a Casa Branca e os republicanos no Congresso para estender cortes de impostos adotados no governo do ex-presidente Barack Obama incluiu uma surpreendente redução nos impostos na folha de pagamento, o que pode dar um inesperado impulso à ecomomia.
Alguns analistas dizem que o acordo pode acelerar o crescimento econômico no próximo em até um ponto percentual.
Os formuladores de política monetária provavelmente avaliaram um salto nos rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo, movimento que vai na contramão dos esforços do Fed ao realizar as compras de títulos, que visam diminuir as taxas de juros.
Os yields dos Treasuries de 10 anos, referência do mercado, estão em níveis não vistos desde maio.
É difícil avaliar, no entanto, quanto desse aumento decorre das críticas políticas à segunda rodada de compra de ativos, que pode ter levado investidores a questionar o apetite do Fed de estender o programa de flexibilização monetária.
Também não se sabe quanto da alta nos rendimentos é devido às preocupações com a inflação e à maciça dívida dos EUA, e quanto pode ser atribuído à expectativa de forte crescimento do país.
Apesar dos sinais indicarem que a retomada está ganhando força, o desemprego tem se mantido por meses próximo a 10 por cento, enquanto o núcleo da inflação vem oscilando nas mínimas recordes.



Reuters

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