sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chuva prejudica resgate no RJ; mortos passam de 530


O trabalho das equipes de resgate na região serrana do Rio de Janeiro foi dificultado nesta sexta-feira, à medida que as chuvas continuavam a cair na região desde a madrugada ameaçando agravar ainda mais a tragédia que já deixou pelo menos 532 mortos.
Além disso, a previsão do tempo para o fim de semana na região indicava probabilidade de 90 por cento de chuva e algumas áreas onde ocorreram deslizamentos e soterramentos seguiam inacessíveis para as equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.
Nova Friburgo foi a cidade mais afetada pela tragédia, com 246 mortos, seguida por Teresópolis, com 226, Petrópolis com 41 e Sumidouro com 19, segundo informações de autoridades locais e da Defesa Civil. Esses números devem aumentar, estimam autoridades, uma vez que ainda há dificuldade no resgate em certas áreas.
"A chuva não parou de madrugada e agora de manhã também chove e para, o que dificulta o trabalho de resgate. Ainda temos muitos locais inacessíveis e muita gente soterrada", disse por telefone o tenente Rubens Halfeld Plácido, do Corpo de Bombeiros em Nova Friburgo.
"O número de mortes ainda vai aumentar. Há gente soterrada em todos os lugares, há muito barro, água e lama. Aqui em Nova Friburgo poquíssimos bairros não foram atingidos", acrescentou.
Em Teresópolis, o policiamento foi reforçado após o registro de saques. Uma testemunha contou que policiais armados perseguiram homens suspeitos de assaltarem lojas no centro da cidade, levando pânico aos comerciantes.
Várias lojas fecharam as portas após relatos de um arrastão em diferentes pontos da região central da cidade, segundo o bancário Rapahel Lipowicz.
"A polícia passou aqui na porta correndo atrás dos caras que estavam roubando lojas. Os caras foram presos, mas as lojas acabaram fechando com medo de outros assaltos", disse ele à Reuters por telefone.


CUSTO DE ALIMENTOS

Moradores da cidade contaram à Reuters que o custo de alimentos e de água aumentou em decorrência da escassez. Alguns foram informados pela Cedade que ficarão até cinco dias sem abastecimento de água devido à contaminação da rede.
"Um galão de água está custando 40 reais", disse um morador, quase quatro vezes o preço normalmente cobrado.
Em Nova Friburgo, a população pegava alimentos contaminados pela chuva e descartados por supermercados e mercearias.
A falta de vagas em cemitérios começava a preocupar as autoridades e, em Teresópolis, uma igreja era usada para armazenar cadáveres após a capacidade do Instituto Médico Legal local ser esgotada.

"CHANCE ZERO" DE SOBREVIVENTES

No bairro de Campo Grande, onde a prefeitura de Teresópolis acredita que ao menos 150 casas foram soterradas pelo deslizamento de pedras e lama, as equipes de resgate ainda encontram dificuldades para localizar as vítimas. As casas foram cobertas por ao menos três metros de lama, segundo autoridades municipais.
"A chance de encontrar sobreviventes é zero", disse Leandro Vabo, chefe da equipe médica que atua no bairo. Segundo ele, o número de desaparecidos é muito grande e a conta de mortos vai aumentar.
Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff sobrevoou a região afetada e visitou Nova Friburgo. Ela classificou o momento de "muito dramático".
O governo federal se comprometeu em liberar 780 milhões de dólares para as cidades e Estados afetadas, além do envio de medicamentos, de helicópteros das Forças Armadas e de homens da Força Nacional de Segurança Pública.
Nesta sexta-feria, um hospital de campanha da Marinha deve começar a operar em Nova Friburgo. Um hospital do mesmo tipo já operava em Teresópolis na quinta-feira para atender os feridos.
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que acompanhou Dilma na quinta-feira, fez um apelo para que a população abandone as áreas de risco.
"Temos outras cidades com problemas e a previsão pluviométrica não é tranquilizadora", alertou. "Há áreas ainda onde há risco de desabamento e de queda de barreiras."
De acordo com o Corpo de Bombeiros, choveu entre terça e quarta-feira na região serrana do Rio o equivalente ao previsto para um mês inteiro.



Reuters

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