sábado, 8 de janeiro de 2011

RJ: professor terá bônus e auxílios cultura e transporte


Alunos e professores da rede estadual vão começar a receber no início do ano letivo, em 7 de fevereiro, um pacote de benefícios para tentar passar uma borracha nas notas vermelhas que o Rio de Janeiro colecionou nos últimos 20 anos. O Plano de Metas, anunciado ontem pelo secretário Wilson Risolia, prevê bônus de até três salários a mais no fim do ano - R$ 1.913,52 a R$ 4.737,81 - para quem atingir 100% dos objetivos. Além disso, os 51 mil professores em sala de aula vão ganhar a partir do mês que vem um cartão pré-pago de R$ 500 para comprar livros, ir a cinemas e a teatros.
"É importante ter acesso a cultura para poder discutir em sala de aula", diz o professor de Matemática José Tibúrcio, 51 anos. Como ele, todos os funcionários lotados nas unidades escolares receberão no contracheque um auxílio-transporte para custos com deslocamento. No total, serão investidos, por ano, R$ 240 milhões.
Em troca, as 1.462 escolas terão que fazer o dever de casa e atingir as metas agressivas de desempenho estabelecidas pela Secretaria Estadual de Educação, que pretende colocar, até 2014, o Rio entre os cinco estados no topo do Ideb, indicador que avalia a cada dois anos o Ensino Básico em todo o País. Atualmente as escolas fluminenses só ganham das do Piauí.
Risolia acabou com a indicação política para escolha de funcionários em cargos de direção. "Nem eu terei mais a caneta para nomear meu subsecretário. A partir de agora, será tudo por mérito", afirmou o secretário, que será o único nomeado pelo governador.
Para assumir funções pedagógicas, os professores terão que passar por 4 etapas: análise do currículo, prova, entrevista e curso para certificar que o profissional está qualificado para o cargo.
Com o leque de incentivos, Risolia espera levar de volta às salas de aula parte dos 8 mil professores que estão de licença médica e 2 mil funcionários emprestados a outros órgãos. "Não vamos mais ceder professores, a não ser que arquem com o ônus de pagar os salários. Hoje o salários dos 2 mil professores cedidos é da Educação", diz o secretário.
Para fazer caixa para os novos investimentos na rede, o secretário Wilson Risolia anunciou o corte de R$ 111 milhões nos gastos da secretaria. No ano passado, a Educação consumiu R$ 847 milhões do Orçamento. Este ano, a meta é utilizar R$ 736 milhões. Risolia pretende chegar a este valor revendo todos os contratos de fornecedores com o estado, de modo que sejam feitos em condições mais vantajosas.
Outra medida prevista no Plano de Metas será a abertura de concurso para técnicos administrativos com o objetivo de liberar para sala de aula os 4 mil professores que hoje ocupam funções burocráticas.
"Claro que não é fácil. A nossa situação não é confortável, por isso temos metas agressivas para a educação", destacou Risolia, que não teme possíveis reações contrárias ao programa. "Não vai haver resistência. Quem vai ganhar são os jovens. Quem pode ser contra algo tão positivo?", questiona.
Sai terça-feira edital para contratar 1.362 profissionais
A secretaria publicará edital do concurso para seleção de 1.362 professores de Matemática e Física, na terça-feira. Objetivo é reduzir o déficit de 4 mil professores da rede. "Há alunos no Ensino Médio que não tiveram Matemática o ano todo. Mas a situação vai melhorar quando houver aumento salarial", diz o professor José Tibúrcio, do Liceu Nilo Peçanha, em Niterói.
Todos os docentes vão fazer cursos de qualificação em universidades e na escola corporativa que será criada pela Secretaria Estadual de Educação. A Escola, localizada na Tijuca, deve ficar pronta em julho. A meta é capacitar 10 mil mestres a cada seis meses.
O secretário já abriu edital para contratar empresa que fará perícia nas 8 mil licenças médicas para ver quem realmente tem condições de voltar às salas de aula. Já os funcionários cedidos terão 30 dias para se apresentar. Se continuarem nos cargos, o salário será pago pelas secretarias onde estão lotados.
Repetentes custam R$ 1,1 bilhão ao ano
Um dos maiores desafios do novo plano de educação será reduzir a repetência. Segundo o secretário Risolia, o estado gasta por ano R$ 1,1 bilhão com alunos que já deveriam ter concluído os estudos. Numa rede que tem 1,25 milhão de matrículas, 450 mil estudantes estão mais de 2 anos atrasados na série. "É um problema grave, porque o estado investiu. Eles não se formaram e tomam o lugar de novos alunos", diz o secretário.
Para evitar que o aluno perca o ano, os estudantes como os do tradicional Colégio Estadual Souza Aguiar, no Centro, farão simulados a cada dois meses (o primeiro será em abril), receberão reforço escolar no contraturno - aulas extras à tarde para quem estuda pela manhã e vice-versa.
As aulas de reforço serão aplicadas para todas as disciplinas, dependendo da deficiência do aluno. Estudantes do 2º ano do Ensino Médio receberão orientação vocacional voltados para o mercado de trabalho. Mesmo com o volume maior de tarefas professores aprovaram o plano. "Não me importo de aplicar mais provas se tiver reconhecimento pelo meu trabalho", afirma a professora de Língua Portuguesa, Maria da Consolação Lavorato, 49 anos.
As escolas adotarão currículos mínimos para disciplinas de Matemática, Português, História, Geografia, Filosofia e Sociologia. A intenção é padronizar o ensino. "A mesma aula de Matemática que é dada em uma escola no Leblon tem que ser dada ao aluno do Complexo do Alemão", afirma o secretário Risolia. Todas as escolas serão avaliadas por um índice próprio, o Iderj (Índice da Educação Básica do Rio), que será aplicado nos anos em que não houver prova do Ministério da Educação.



Terra

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