segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Aviões militares e helicópteros da Líbia aterrissam em Malta


Dois aviões militares de combate e dois helicópteros civis, com sete pessoas a bordo, da Líbia aterrissaram inesperadamente nesta segunda-feira na ilha de Malta, segundo informaram testemunhas e fontes militares a agências de notícias.
Repórteres de jornais locais afirmaram que os jatos Mirage, para apenas uma pessoa, chegaram ao aeroporto internacional de La Valetta, capital de Malta.
Funcionários do aeroporto afirmaram ainda, sob condição de anonimato, que os dois helicópteros transportavam sete pessoas que seriam francesas. As autoridades estavam checando as identidades dos passageiros --apenas um apresentou passaporte.
Os helicópteros não contavam com a autorização de sair da Líbia, por isso suspeita-se de que tenham fugido desse país em função dos protestos que sacodem a região.
O gabinete do primeiro-ministro de Malta, Lawrence Gonzi, afirmou que não estava claro se os dois pilotos dos jatos pretendiam pedir asilo no pais. Inicialmente, eles pediram para abastecer.
O episódio ocorre em meio a intensos protestos na Líbia contra o ditador Muammar Gaddafi e seus 42 anos de governo autoritário. Intensa repressão já deixou ao menos 233 mortos, segundo informou nesta segunda-feira a ONG sediada em Nova York Human Rights Watch. Já a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) calcula entre 300 e 400 pessoas foram mortas desde o início da rebelião.
A FIDH relatou ainda que manifestantes antirregime assumiram o controle de cidades líbias e que militares estão desertando.
"Muitas cidades foram tomadas, principalmente no leste. Os militares estão debandando", declarou a presidente da FIDH, Souhayr Belhassen, citando principalmente Benghazi, reduto da oposição, e Syrta, cidade natal do coronel de Gaddafi.
A emissora de TV NTV, citando um trabalhador turco, informou que a cidade de Jalu, localizada cerca de 400 quilômetros ao sul de Benghazi, também foi controlada pelos opositores do regime.
"O controle está totalmente nas mãos da população. Não há forças de segurança, não há polícia. Estamos sujeitos à vontade e ao controle do povo", relatou Mustafa Karaoglu, que trabalha na cidade --de cerca de 3.500 habitantes--, onde um grupo de trabalhadores estrangeiros se mantém reclusos em seus locais de trabalho.
Benghazi, onde os protestos começaram na semana passada após a prisão de um advogado de direitos humanos e onde dezenas de pessoas foram mortas por forças de segurança, está efetivamente sob controle dos manifestantes, de acordo com alguns moradores da localidade.
Um avião da Turkish Airlines que tentava aterrissar em Benghazi foi forçado a sobrevoar o aeroporto e retornar a Istambul.
Os manifestantes em Benghazi tiraram a bandeira líbia que ficava no prédio do principal tribunal da cidade e, em seu lugar, colocaram a bandeira da antiga monarquia do país, derrubada em 1969 em um golpe militar que levou Gaddafi ao poder.

CAPITAL
A onda de protestos anti-Gaddafi chegou neste domingo à capital, Trípoli, que até agora tinha sido palco apenas de manifestações favoráveis ao ditador.
Dezenas de pessoas foram mortas em Trípoli durante a noite durante protestos contra Gaddafi. Jornalistas informaram que a sede central do governo, o prédio do Ministério da Justiça e o Parlamento estavam em chamas nesta segunda-feira.
A emissora de TV árabe Al Jazeera, citando fontes médicas, afirmou que 61 pessoas foram mortas nos últimos protestos em Trípoli.
Segundo a TV, forças de segurança estavam saqueando bancos e outras instituições governamentais na capital e que manifestantes invadiram diversas delegacias da cidade e as destruíram.
O prédio onde o Congresso Geral do Povo --o Parlamento-- se reúne quando está em sessão em Trípoli estava ardendo em chamas na segunda-feira, informou um repórter da agência de notícias Reuters.
Mais cedo, o jornalista líbio Nezar Ahmed disse à Al Jazeera que manifestantes haviam ateado fogo à sede central do governo líbio e ao prédio que abriga o Ministério da Justiça na capital do país.
Da capital líbia, Ahmed também assegurou que as forças de segurança praticamente se retiraram da cidade e que várias delegacias e outros prédios públicos também foram saqueados ou incendiados.
"Praticamente não há forças da ordem. Não se sabe aonde foram. Esta situação favorece os rumores alarmantes", explicou o jornalista, que mencionou como um deles a possível fuga de Gaddafi do país e divergências entre altos dirigentes do Exército e de outros corpos de segurança.
Segundo Ahmed, há apenas um cordão policial em torno da sede da rede de televisão estatal Libya TV.
Testemunhas disseram à agência de notícias France Presse que o prédio que servia de sede para um canal de televisão e uma rádio pública foi saqueado no domingo à noite por manifestantes em Trípoli.
"Um local que abrigava o canal Al-Jamahiriya 2 e a rádio Al-Shababia foi saqueado", afirmou uma testemunha, que pediu anonimato. A programação do canal e da emissora de rádio foi retomada nesta segunda-feira.
A Al-Jamahariya 2, segundo canal público, e a rádio Al-Shababia foram criadas por um dos filhos de Gaddafi, Seif al Islam, em 2008, antes de serem nacionalizadas.
Seif al Islam foi à TV estatal para afirmar que seu pai continua no poder --com apoio do Exército-- e que irá "lutar até o último homem, a última mulher, a última bala".
Mas, até mesmo durante seu pronunciamento, na noite de domingo, confrontos foram registrados nas proximidades e na praça Verde, no centro de Trípoli, durando até a madrugada de segunda-feira, segundo testemunhas.
Elas informaram que atiradores abriram fogo contra a multidão que tentava assumir o controle da praça, e partidários de Gaddafi passavam pelo local em veículos a altas velocidades, atirando e indo para cima dos manifestantes.
Os protestos e a violência foram os mais fortes até agora na capital, um sinal de que a revolta está se espalhando após seis dias de demonstrações anti-Gaddafi em cidades do leste do país.
BAIXAS
O ministro da Justiça líbio, Mustafa Abdeljalil, apresentou nesta segunda-feira sua demissão em protesto "pela sangrenta situação" de seu país, afirmou o jornal eletrônico "Quryna", próximo a Seif el Islam Gaddafi --um dos filhos do ditador líbio, Muammar Gaddafi.



Reuters

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