sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

EUA adotarão sanções contra a Líbia

Os EUA anunciaram nesta sexta-feira que imporão sanções à Líbia em resposta à repressão do regime aos opositores que reivindicam a renúncia do líder Muamar Kadafi.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, indicou que, entre outras medidas, os EUA devem congelar a venda de armas à Líbia e a "limitada" cooperação militar existente entre os dois países. Além disso, os EUA colocaram bancos para monitorar e notificar movimentações financeiras do país.
Carney afirmou que os EUA finalizarão o processo das punições nesta sexta-feira. Segundo ele, Washington também está trabalhando com os parceiros europeus em sanções adicionais e em outras ações multilaterais.
O porta-voz disse que Obama se reunirá com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Washington, na segunda-feira, para discutir a situação no país do norte da África.
A decisão de impor sanções unilaterais ao regime foram anunciadas depois de uma autoridade americana ter informado que os EUA fecharam sua embaixada na capital do país, Trípoli, após a retirada de todos os seus funcionários por meio de um navio e um voo fretado. Segundo a autoridade, as operações na embaixada foram suspensas por causa da deterioração da situação de segurança.
O anúncio foi feito antes de o Conselho de Segurança da ONU discutir nesta sexta-feira um projeto de sanções contra os líderes líbios, em meio a informações de que forças de segurança abriram fogo durante protestos de milhares de manifestantes na capital do país.
Nesta sexta-feira, a União Europeia (UE) fechou um acordo sobre um novo pacote de sanções contra a Líbia, entre as quais se destacam um embargo armamentista e o congelamento dos bens do clã Kadafi em território comunitário, informou a Alemanha. De acordo com o Ministério de Assuntos Exteriores alemão, a medida foi pactuada nesta sexta-feira entre os 27 países do bloco e será sancionada formalmente no início da semana que vem.
Dentre as sanções estipuladas está também a proibição a Kadafi e a seus familiares de entrar em quaiquer dos países da UE. Em outra medida de pressão, o Conselho dos Direitos Humanos da ONU adotou nesta sexta-feira uma resolução por consenso para enviar uma missão para investigar as violações na Líbia e recomendou que o país seja suspenso da entidade.
A pressão internacional aumentou no mesmo dia em que, em um novo pronunciamento transmitido pela TV estatal, o líder líbio, Muamar Kadafi, ameaçou liberar o arsenal do país "quando necessário" para armar o povo da Líbia contra o "inimigo". Kadafi prometeu triunfar sobre seus inimigos e exortou os partidários reunidos na Praça Verde a proteger a Líbia e os interesses petrolíferos do país.
Vestido com um chapéu de pelo e óculos de sol, Kadafi dirigiu-se à multidão do Castelo Vermelho, um forte histórico, tendo uma visão geral da Praça Verde, onde mais de mil partidários estavam na tarde desta sexta-feira portando fotos do líder líbio e bandeiras verdes. "Preparem-se para lutar pela Líbia, preparem-se para lutar pela dignidade, preparem-se para lutar pelo petróleo."
Em pelo menos três bairros da capital houve registro de tiroteios depois das preces de sexta-feira, com as forças de segurança atuando para dispersar os manifestantes que se reuniam para marchar nas ruas ou para deliberadamente atingi-los.
Líderes rebeldes disseram que estão enviando forças para cidades vizinhas e para outras partes do país para unir-se aos combates. Também há informações não confirmadas de que uma base aérea fora da capital está sob o controle dos opositores.
Algumas testemunhas, em entrevistas por telefone com agências de notícias, disseram que vários foram feridos ou mortos em Trípoli. Com o acesso limitado aos jornalistas, é impossível verificar os relatos de forma independente.
Citando uma testemunha não identificada, a Reuters afirmou que a violência deixou pelo menos cinco mortos no distrito de Janzour, no oeste da capital. Outras testemunhas de bairros do leste da capital, como Ben Ashur e Fashloum, também disseram que houve disparos contra opositores de Muamar Kadafi que gritavam slogans contra o líder líbio.
"As forças de segurança dispararam contra os manifestantes sem fazer distinção. Há mortos nas ruas de Sug Al Joma", indicou um habitante desse bairro citado pela agência EFE.
Os desdobramentos da crise líbia já indicavam o que vinha sendo chamada de antemão "a batalha de Trípoli". O leste do país – onde estão cidades como Benghazi, Tobruk e Ajdabiya – permanece sob controle firme da oposição, mas o governo lançou ofensivas para tomar o controle das localidades próximas ou a oeste de Trípoli, como Zuara, Sabratha, Misrata e Al Zawiya.
Até a quinta-feira, os relatos eram de que a cidade de Al Zawiya, a 50 km de Trípoli, era palco de alguns dos mais sangrentos enfrentamentos. Na terceira cidade do país, Misrata, a 200 km da capital, foram registrados combates pelo controle do aeroporto. Mas os relatos são que a cidade também caiu em favor dos rebeldes.
Nesta sexta-feira, centenas de milhares se reuniram em Benghazi, epicentro dos protestos contra o regime de Kadafi, para exigir a renúncia do líder líbio.



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