terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ONU pede a governos que não barrem refugiados líbios


O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) pediu na terça-feira a países da Europa e Norte da África que não barrem a entrada de líbios foragidos dos distúrbios que já causaram centenas de mortes desde a semana passada.
A porta-voz Melissa Fleming disse que a Itália é o país mais "mais propenso a receber um afluxo de pessoas fugindo da Líbia", o que inclui líbios e também refugiados de outros lugares.
"É hora de mostrar espírito humanitário e generosidade para pessoas que estão passando por um trauma grave", disse ela a jornalistas em Genebra, cidade-sede do Acnur.
Há 8.000 refugiados estrangeiros registrados junto ao Acnur na Líbia, e outros 3.000 candidatos a asilo, vindos de Sudão, Iraque, Eritréia, Somália, Chade e territórios palestinos.
"Trata-se de uma importante rota migratória e para pessoas que escapam de guerras e violência no continente africano", disse Fleming. "Muitos deles foram impedidos de chegar a destinos europeus e se viram retidos na Líbia.
O líder líbio, Muammar Gaddafi, usou tanques, helicópteros e aviões para tentar esmagar a crescente rebelião no seu país, disseram testemunhas nesta terça-feira, enquanto o veterano dirigente negou que esteja fugindo de Trípoli após mais de quatro décadas no poder.
A TV Al Jazeera relatou que aviões novamente bombardearam algumas áreas da capital nesta terça-feira, e que mercenários dispararam contra civis.
Na segunda-feira, o próprio Gaddafi apareceu, após dias de isolamento, para desmentir os rumores de que teria se exilado na aliada Venezuela.
"Quero mostrar que estou em Trípoli e não na Venezuela. Não acreditem nos canais pertencentes aos cães vadios", disse Gaddafi, que assumiu o poder num golpe militar em 1969 e desde então governa a Líbia com uma mistura de populismo e linha-dura.
Em Al Bayda (cidade no leste), o morador Marai Al Mahry disse à Reuters por telefone que 26 pessoas, inclusive seu irmão Ahmed, foram mortos a tiros durante a noite por seguidores de Gaddafi,
"Eles atiram em você só por andar na rua", disse ele, soluçando incontrolavelmente e implorando por ajuda.
Al Mahry relatou também que os manifestantes estão sendo atacados por aviões e tanques na cidade.
"A única coisa que podemos fazer agora é não desistir, não nos rendermos, não recuar. Vamos morrer de qualquer jeito, queiramos ou não. Está claro que eles não se importam se vivemos ou não. Isso é um genocídio", disse Mahry, de 42 anos.
As forças de segurança reprimem os protestos com dureza em todo o país. A rebelião - parcialmente inspirada nas recentes revoltas populares dos vizinhos Egito e Tunísia - começou na semana passada no leste da Líbia, e agora chegou a Trípoli.
A ONG Human Rights Watch diz que pelo menos 233 pessoas já foram mortas, e grupos de oposição estimam cifras ainda maiores. É impossível verificar essas informações de forma independente, já que a imprensa enfrenta sérias restrições ao seu trabalho na Líbia.
A revolta no país, integrante da Opep, faz com que o petróleo atingisse nesta terça-feira a sua maior cotação nos EUA em dois anos e meio - 99 dólares por barril, com entrega em abril.
A rebelião parece ter chegado até mesmo ao núcleo do poder líbio. Alguns embaixadores renunciaram e pediram o afastamento de Gaddafi, o ministro da Justiça deixou seu cargo em protesto contra a repressão aos manifestantes, e um grupo de oficiais do Exército conclamou os soldados a "se juntarem ao povo".
Dois pilotos levaram seus caças para Malta, afirmando que rejeitaram ordens de bombardear multidões.
Na domingo, Saif Gaddafi, filho do ditador, foi à TV dizer que o regime continuaria resistindo "até o último homem que estiver de pé".
Potências mundiais e a ONU condenaram o uso da força contra os manifestantes.


Reuters

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