sábado, 19 de março de 2011

Jirau: Operários reclamam de tratamento; construtora diz que oferecia até academia


Matéria explica a ação desenvolvida pelos operários na construção de usina de Jirau. Ajuda a compreender um pouco da consciência trabalhista que está desenrolando no momento.

"Assédio moral e recusa da empresa em dividir lucros com os funcionários são alguns dos motivos alegados para a quebradeira feita por operários da Camargo Corrêa no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO). Os protestos começaram na noite de terça-feira, 15, quando mais de 40 veículos foram incendiados e instalações e alojamentos, depredados. A Polícia Militar e a Força de Segurança Nacional foram acionadas e começaram a retirar os cerca de 15 mil funcionários da obra na quinta-feira, 17. Raimundo Soares da Costa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia (Sticcero), afirma que a empresa não cumpriu o acordo feito com os trabalhadores. “Nós entramos na justiça contra o descumprimento de pagamento da participação nos lucros”, disse. Por essa versão, os funcionários estariam denunciando também casos de maus tratos, desrespeito às suas posições e qualificações, jornada excessiva de trabalho e não pagamento de horas extras. Uma briga entre três motoristas terceirizados e um operário teria servido como estopim para a quebradeira, dada a insatisfação geral dos funcionários.
A Camargo Correa apresenta outra versão da história. Segundo a companhia, não houve nenhuma reivindicação trabalhista e não há participação em lucros a pagar, já que a obra ainda não foi terminada. A construtora informa que as denúncias de assédio moral serão investigadas. "A Camargo Corrêa reitera que esses atos de violência foram provocados pela ação criminosa e isolada de um grupo de vândalos", afirma a empresa, em comunicado.
Segundo relatos de alguns sindicalistas, os trabalhadores também teriam reclamado de instalações inadequadas nos alojamentos. Costa diz que isso não era um problema. A empresa informa que nos alojamentos havia ar condicionado, lavanderia, farmácia, centro de treinamento, quadras, salas de jogos e academia (confira as imagens do canteiro de obras antes da quebradeira).
Diante da paralisação da obra, os operários insistem em ter férias coletivas 30 dias. A empresa ofereceu uma "licença família com descanso remunerado" e se propõe a dar ajuda de custo para os que quiserem voltar a suas cidades de origem enquanto a obra não é reiniciada. Os funcionários que permanecerem em Porto Velho terão alojamento, alimentação, água, kits de higiene pessoal e colchões. Em nota, a Camargo Corrêa informou que os contratos de trabalho seguem sem alteração e que os funcionários receberão salários e benefícios previstos normalmente no período em que estiverem sem trabalhar. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), haveria neste sábado, 19, uma reunião entre o Ministério do Trabalho, o sindicato local (Sticcero) e a Camargo Corrêa."

Época

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