segunda-feira, 7 de março de 2011

Obama rejeita pressão e adota cautela sobre a Líbia


A Casa Branca rejeitou na segunda-feira a pressão de alguns parlamentares norte-americanos para intervir diretamente na Líbia, dizendo que é preciso inicialmente entender quais seriam os resultados de diversas alternativas militares.
"Seria prematuro enviar um monte de armas para uma caixa postal no leste da Líbia", disse Jay Carney, porta-voz da Casa Branca. "Não devemos meter os pés pelas mãos em termos das opções que estamos perseguindo."
O governo Obama enfrenta fortes críticas, especialmente por parte de parlamentares republicanos e comentaristas conservadores, por causa da sua abordagem cautelosa à turbulência na Líbia, mas sinalizou que não vai tomar decisões apressadas que possam arrastar os EUA para uma nova guerra e alimentar o sentimento antiamericano no mundo.
Outro grande obstáculo para o envolvimento norte-americano é que as autoridades dos EUA ainda estão tentando identificar os principais atores dentro dos grupos de oposição que lutam para derrubar o dirigente Muammar Gaddafi, há 41 anos no poder. Os objetivos desses grupos não são claros, incluindo o tipo de governo que pode se configurar caso Gaddafi caia, dizem as autoridades.
O presidente Barack Obama disse na segunda-feira que desejava "enviar uma mensagem muito clara para o povo líbio de que estaremos ao seu lado diante da violência injustificada e da contínua repressão aos ideais democráticos que vemos lá."
A Casa Branca tem dito que nenhuma opção foi descartada, mas na segunda-feira pela primeira vez o governo dos EUA sinalizou, ainda que de forma vaga, as alternativas militares que estão sendo priorizadas.
A hipótese mais remota é o envio de tropas terrestres, disse Carney a jornalistas. A adoção de uma zona de exclusão aérea que impeça bombardeios do regime contra os rebeldes --ideia defendida por vários parlamentares dos EUA-- está sendo "ativamente" discutida no âmbito da Otan, e a possibilidade de fornecer armas aos rebeldes também está na pauta, afirmou o porta-voz.
Brian Katulis, consultor informal da Casa Branca a respeito da onda de rebeliões no mundo árabe, disse que o governo Obama está de mãos atadas por causa da sua relutância em agir militarmente sem o apoio internacional.
Os apelos dos legisladores para uma ação mais incisiva poderia criar "um pouco de pressão" sobre a Casa Branca, disse o especialista, mas isso não seria suficiente para empurrar Washington a uma ação que o governo considere perigosa.
O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, reiterou na segunda-feira que qualquer intervenção na Líbia exigiria um amplo apoio internacional.
"Neste momento há um sentimento de que qualquer ação deva ser o resultado de sanção internacional", afirmou durante uma viagem ao Afeganistão.



Reuters

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