sexta-feira, 4 de março de 2011

Satélite Glory Earth da NASA falhou a órbita e mergulhou no Pacífico



O satélite Glory Earth da NASA lançado hoje não conseguiu alcançar a órbita definida e mergulhou no Pacífico. O aparelho fazia parte do projecto da Agência Espacial Norte Americana para observação da Terra, ia analisar a energia total vinda do Sol que atinge a Terra.

Hoje estamos todos devastados”, disse Ron Grabe, o vice-presidente da Orbital Sciences Corporation (OSC) – a empresa norte-americana que construiu o foguetão e o satélite para a NASA. A falha custou 303,4 milhões de euros.
O modelo do foguetão que levava o Glory Earth é o Taurus-XL. Este modelo foi pela primeira vez utilizado, em 1994. Desde essa data voou nove vezes, seis com sucesso, e três com insucesso, incluindo o lançamento de hoje.
O foguetão foi lançado a partir de uma base espacial na Califórnia às 2h09 locais, (10h09 em Lisboa). O lançamento correu bem, mas passado alguns minutos, a NASA noticiou que algo estava errado.O satélite estava dentro da cúpula do foguetão. O esperado é que essa cúpula se separasse do resto do foguetão e abrisse para permitir a saída do Glory Earth. Como não aconteceu, o peso a mais do satélite e da cúpula, impediu que o instrumento atingisse a órbita correcta.
“Não vimos indicação da separação da cúpula”, disse Omar Baez, director de lançamento da NASA. “Falhámos a órbita e todas as indicações mostram que o satélite e o foguetão estão algures no Sul do Oceano Pacífico.” Vai ser criada uma equipa de investigação para avaliar o que aconteceu.
Esta não é a primeira vez que a OSC tem um desaire parecido. Em 2009, aquando o lançamento do satélite Observatório Orbital de Carbono, também da NASA, o foguetão do mesmo modelo falhou a abertura da cúpula para libertar o satélite.
De seguida foi formada uma equipa de peritos para investigar o sucedido. Descobriu-se que o sistema de iniciação da separação da cúpula não funcionou. Para o lançamento de hoje a empresa tinha instalado outro sistema.
A OSC quer voltar a tentar colocar no ar o Observatório Orbital de Carbono em 2013, utilizando outra vez o foguetão Taurus XL. “O OCO-2 está em desenvolvimento e ainda a dois anos de ser lançado”, explicou Mike Luther citado pela BBC News, um responsável da NASA. “Temos que avaliar o que vai resultar desta investigação e vamos reajustar os planos.”

Balanço solar
O satélite Glory Earth ia fazer parte do que a NASA chama a “A-Train”, os satélites de observação da Terra que todas as tardes atravessam o equador. São o Aqua, Cloudstat, Calipso, Parsol e Aura.
O Glory Earth pesava 528 quilos e ia ficar numa órbita a 811 quilómetros de altitude, juntando-se ao “A-Train”. O satélite levava dois instrumentos: o Sensor Polarimétrico de Aerossóis e o Monitor de Irradiação Total. Além de ir analisar a energia total vinda do Sol que atinge a Terra, ia também medir as partículas que retêm esta energia e as partículas que reflectem a radiação de volta para o espaço.
“Isto também é uma notícia má para a comunidade científica que estuda o clima – o Glory prometia dar informação importante que necessitamos desesperadamente para compreender melhor o balanço da radiação da Terra”, disse à BBC News Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo. O cientista britânico também trabalhou no projecto do Observatório Orbital de Carbono.
O Monitor de Irradiação Total ia continuar o seguimento do trabalho de Nimbus-7, que desde a década de 1970 mede a quantidade de energia solar que atinge a parte superior da atmosfera terrestre.

Nicolau Ferreira


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