domingo, 4 de dezembro de 2011

Discernimento


A palavra discernir tem por uma de suas definições perceber claro por qualquer dos sentidos. Esta definição se torna completa quando entendemos que somos dotados de sete sentidos. Os cinco primeiros, os físicos, mais tradicionais, que nos permitem o exercício da percepção sensorial. O sexto, que nos faz perceber extra-sensorialmente ou além dos sentidos básicos e o sétimo, o sentido da Empatia.

O Discernimento é uma capacidade. Discernir é, na realidade, o ato de reconhecer a razão essencial de tudo, em tudo e em todos. A razão essencial releva a causa daquilo existir. Descobrindo a causa sabemos o porquê e, sabendo este porquê, deixamos de ignorar e passamos a compreender. Quando compreendemos, passamos a ter uma enorme capacidade de aceitar as coisas boas e as ruins ou até de transformar o que seria ruim em algo bom ou válido.

A capacidade de discernir é um aprendizado que nos leva a entrar em sincronia com o universo. Ou seja, somente discernindo conseguiremos viver o dia-a-dia compreendendo a justiça e a injustiça, o amor e o ódio, a alegria e a tristeza, a felicidade e a infelicidade... Aprendemos a perceber e a distinguir o que tem ou não valor sem que essas disparidades do cotidiano nos atinjam essencialmente a ponto de alterar inadequadamente a nossa qualidade espiritual ou desnortear as metas evolucionais positivas que traçamos para a nossa vida.

Para aprendermos a discernir, primeiro temos que nos entender como estruturas compostas por espírito, mente e corpo. O corpo tem a função de captar estímulos através dos sentidos. A mente tem a função de dar nexo aos estímulos captados. Por exemplo: sinto sede e necessito apanhar água. Pois bem, eu tenho sobre a mesa uma colher, um pires e um copo. A minha mente motivada pela necessidade do meu corpo físico, a sede, vai definir através de um sistema de nexos qual é o recipiente mais adequado para me permitir o suprimento daquela necessidade de uma forma mais objetiva e precisa. Assim, certamente, minha mente definirá o copo, a não ser que alguma perturbação mental altere o processo ou que esteja experimentando coisas novas como fazem as crianças.
É no espírito que ocorre a síntese e a qualificação de tudo o que vivemos, mesmo em um simples ato de tomar água. Sentindo o que recebemos como bom ou ruim agregamos valores ao nosso espírito. Este, em movimento reflexo, devolve à mente a síntese formulada para que esta possa incidir sobre o corpo que, obedecendo à ordem executada, passa a se expressar.

Se uma experiência for boa, somaremos no espírito a síntese de amor em diferentes sutilezas, na mente a tranqüilidade e no corpo o equilíbrio funcional. Caso contrário, seremos invadidos por diferentes sutilezas - de ódio essencialmente - por intranqüilidade e confusão na mente e, por fim, terminaremos por somatizar doenças no corpo físico.
O discernimento aplicado em tudo que vivemos funciona como uma vacina que nos imuniza do ódio e de todas as suas conseqüências.

Mas, como aprender a discernir?
Aprendemos a discernir quando reconhecemos que tudo funciona através de um tripé de processamento dos estímulos, que define que todos os estímulos que recebemos seguem exatamente o caminho traçado por: INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E DISCERNIMENTO em natural correlação com CORPO, MENTE E ESPIRITO.
É um erro acreditarmos que somos capazes de dar conhecimento ou discernimento a alguém. O máximo que conseguimos é dar informações. Sempre, tudo que nos chega através dos sentidos, por imagens, sons, ou quaisquer sensações em uma leitura, uma palestra, um filme, uma aula são apenas informações.
O conhecimento só é obtido através da disponibilidade de quem recebe as informações em poder, ou não, mobilizar sua atenção nelas. Se a atenção for mobilizada nas informações, ou seja, se aquilo chamou a atenção e estimulou a concentração, as informações se transformarão em conhecimento através dos nexos disparados pela mente. Quanto maior a nossa capacidade mental ou a capacidade de dar nexo, mais e maior conhecimento obteremos.

E, o que é conhecer? É simples! Imagine uma caneta. Certamente a imensa maioria das pessoas é capaz de imaginar uma caneta apesar das variações dos modelos, formas, cores, etc. Isso acontece porque todos nós, desde pequenos, vemos canetas e enquanto recebemos as informações sobre aquele objeto, transformamos essas informações em conhecimento. Assim, conhecemos uma caneta. Só que existem milhares de tipos de canetas e muitas delas com funções e qualidades específicas.

Quando já mobilizamos a atenção no conhecimento que temos da caneta passamos a exercitar o discernimento. Discernir é buscar compreender a razão de ser das coisas do universo, aquelas que definimos como as criadas por Deus e também as criadas pelo homem, assim como a razão do próprio homem e, acima, do próprio Deus.

Tudo o que existe tem uma razão para existir. Descobrir essa razão é discernir. Ainda no exemplo da caneta que conhecemos como um objeto de grafia, algo feito para grafar, podemos imaginar que numa sala de aula, ao invés de escrevermos no quadro branco com a caneta apropriada, vamos utilizar uma esferográfica. O estrago no quadro branco seria inevitável e, o pior, ninguém conseguiria receber as informações contidas nele, pois não conseguiriam lê-las. Portanto, discernir é simplesmente reconhecer a razão de ser de tudo; utilizar qualquer objeto, em qualquer situação da forma correta, de acordo com sua razão.

O exemplo da caneta é simples, mas podemos expandi-lo para os nossos relacionamentos pessoais, profissionais e para tudo aquilo que nos rodeia. Ser discernido é ser sábio e podemos ser sábios em nosso dia-a-dia, pequenos sábios, vá lá, mas... sábios! Podemos ser ponderados e ter bom senso. Isso é sabedoria! Podemos ir além dos aspectos racionais das coisas e dos fatos. Podemos ir além da pura intelectualidade! Afinal, o gênio faz guerra, mas o sábio não!

Isabel Romanello

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