segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Judas Iscariotes

Judas Iscariotes
foi o membro do grupo de apóstolos de Jesus Cristo, um dos doze, que mais tarde, segundo relatos do Novo Testamento, viria a trair seu Mestre, denunciando-o aos sacerdotes judeus que ansiavam por sua morte. Ele era o único seguidor de Jesus não proveniente da Galiléia, e sim de Kerioth, na região da Judéia. A versão mais comum, difundida nas Escrituras Sagradas, é a de que ele teria entregado o Messias em troca de trintas moedas de prata, possivelmente siclos, e não denários, como tem sido divulgado.
Recentemente, porém, a descoberta de um manuscrito que provavelmente seria um escrito gnóstico do século II, considerado apócrifo pela Igreja, intitulado O Evangelho de Judas, trouxe novos dados a esta enigmática história. Este texto, ainda não endossado cientificamente, defende, entre outras coisas, que Judas teria seguido os desígnios apontados por Jesus, atuando como aquele que conduziria o Mestre à Cruz para a redenção da Humanidade.
Outra versão indica que, como Judas pertencia à seita dos Zelotes, ele vivia um intenso conflito interior, pois acreditava que Jesus seria o líder revolucionário que derrotaria os romanos com o uso da força, se fosse necessário. Ao se ver diante de uma nova visão de mundo, pacífica, humilde, de um comportamento totalmente oposto ao esperado por ele, Judas teria entregado seu Mestre ao Sinédrio, com a esperança de vê-lo agir como o dirigente radical desejado, o Rei da esfera material, não o do Reino espiritual. Dotado do poder de realizar milagres, Ele com certeza se libertaria e venceria os adversários, esta teria sido a esperança secreta de Judas.
Afirmam as interpretações convencionais que Judas Iscariotes seria um dos mais precoces apóstolos, bem como um dos que detinham maior nível cultural, sendo por este motivo escolhido para ser o Tesoureiro do grupo. Alguns se baseiam neste fato para argumentar que ele sempre cultivou a ganância, sendo por isso escolhido para realizar a terrível traição em troca de um valor que correspondia ao preço de um escravo.
Depois da Última Ceia, pouco antes das comemorações da Páscoa hebraica, Judas parte para alertar os sacerdotes, enquanto Jesus se dirige ao Getsêmani para orar. Segundo as Escrituras, Jesus sabia tudo que ia ocorrer, e neste momento pedia forças e coragem ao Pai, mas não há comprovação científica desta predestinação de Iscariotes. O apóstolo conduz os algozes ao encontro do Mestre, pois sabia com precisão onde ele estaria. Tradicionalmente o Messias é delatado por seu seguidor através de um beijo, o famoso Beijo de Judas. Jesus é então preso e condenado, morto na Cruz.
Sejam quais forem as motivações de Judas, neste instante, segundo os relatos bíblicos, o apóstolo se arrepende terrivelmente e devolve o dinheiro aos sacerdotes. Conforme a versão de Mateus, os hebreus não tiveram coragem de depositar estas moedas no Tesouro do Templo de Jerusalém, preferindo então utilizá-las para edificar um cemitério que ficaria conhecido como Campo do Sangue.
Judas, profundamente arrependido de seu gesto impensado, teria optado pelo suicídio por enforcamento, embora alguns gnósticos acreditem que ele simplesmente se retirou para o deserto com o objetivo de meditar. Até os dias de hoje cultiva-se, no Sábado de Aleluia, a tradicional malhação de Judas, quando um boneco confeccionado com palha é enforcado em postes ou árvores, e posteriormente queimado pela população.

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