terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

É hora de mudar

 O Brasil cansou de ser o país das desculpas, das explicações, das justificativas, do jeitinho e da esperteza. As pessoas cansaram de ser enganadas e usadas. Queremos e podemos ter riqueza para todos.
Apesar de todas as nossas riquezas naturais, é chegada a hora de uma revolução que acabe com o comodismo e crie fartura. Mas para que a revolução aconteça de verdade, é preciso que esperemos menos e nos comprometamos mais.
Nosso ritmo é de urgência. Cansamos de ficar deitados eternamente em berço esplêndido. Depois de cem anos dormindo como a Bela Adormecida, acordamos querendo recuperar o tempo perdido. Sabemos que evoluir gradativamente não vai resolver os nossos problemas. O mundo não vai esperar por nós. Precisamos de guerreiros amorosos, dispostos a ousar e dar o salto qualitativo, capaz de nos oferecer um país digno.
Cada vez mais pessoas se dão conta de que a competência é o único caminho para a realização. Por outro lado, deixar a administração da própria vida para outra pessoa é o caminho da escravidão. A dependência é fatal para a realização individual e coletiva.
Muitos empresários brasileiros ainda insistem em repetir velhas fórmulas que só funcionavam no passado. Acabam levando a empresa à falência, porque vendem com prejuízo, não calculam a entrada e saída de centavos, não ficam atentos ao fluxo de caixa, ou seja, não administram de acordo com a realidade atual. Vivem esperando o próximo passo do governo e dos concorrentes para decidir seus caminhos. Preocupam-se demasiadamente com o faturamento e se esquecem do mais importante para o sucesso de uma empresa: a sua receita líquida, que indica o lucro depois da retirada dos impostos e outros encargos. Os empresários precisam aprender a trabalhar com uma margem de lucro reduzida, que tende a ser a mesma no mundo inteiro. Na Alemanha, por exemplo, alguém que exija um desconto de 15% sobre uma mercadoria será taxado de louco, justamente pelo fato das empresas venderem com margens de lucro muito pequenas.
Outro aspecto que apresenta uma mudança radical diz respeito ao comportamento de clientes e consumidores. Hoje, o cliente é rei e as empresas necessitam encontrar uma forma de oferecer o melhor produto pelo menor preço. E como se não bastasse a concorrência nos moldes tradicionais, as empresas ainda têm de lidar com a competição virtual, motivada pelo excesso de serviços colocados à disposição do consumidor. Hoje, por exemplo, o dono de um cinema não perde os seus clientes para o seu concorrente direto, mas sim para as videolocadoras, TVs a cabo, TVs normais, até mesmo para a violência nas ruas (medo de sair e ser assaltado, seqüestrado ou atingido por uma bala perdida).
Todas essas mudanças se constituem em indícios de que somos a primeira geração da Era do Caos, onde aquilo que era tido como certo já não vale mais. As três grandes indústrias que controlavam o comércio de máquinas de escrever passaram décadas brigando entre si pelo domínio do mercado para, no final, acabarem sendo preteridas pelo advento do computador.
Não é fácil garantir o “lugar ao sol” em uma economia cada vez mais globalizada. Nós precisamos ter a ambição de sermos campeões, porque a memória jamais registra uma “vice-vitória”. Em 94, o Brasil venceu a Itália na final e todos gritaram “É Campeão!”. Por outro lado, ninguém ouviu a torcida italiana gritar “É vice-campeão!”. Para chegarmos sempre em primeiro lugar, é necessário desenvolver uma mentalidade de excelência, como acontece no Japão, onde desde os primeiros anos escolares o indivíduo aprende a importância de “ser o melhor”.
No Brasil, 70% dos programas de qualidade total implantados nas empresas são abandonados no meio do caminho, porque o resultado imediato não surgiu. Esta é uma visão equivocada, porque qualidade total pressupõe qualidade de vida, qualidade do ser humano, um verdadeiro processo de quebra de paradigmas e transformação cultural, algo que demanda tempo e muito trabalho. 

Roberto Shinyashiki
 

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